Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

afonsonunes

afonsonunes

19 Ago, 2012

Mas qu'a galo

 

A nova época futebolística começou bem. E teve um prólogo de se lhe tirar o chapéu. Vergonha para aqui, vergonha para ali, de tal maneira que até eu, que me considero um envergonhado, acabei por ficar incapaz de me comparar aos dois que demonstraram ter muita falta dela.

Normalmente não gosto de me meter neste drama, que tantas vezes atinge o elevado grau de melodrama, ou até de psicodrama, no qual os envolvidos diretamente acabam por transmitir essa tempestade continental ao pagode, que começa com uma trovoada e acaba em ciclone com nomes de gente e tudo.

Agora, neste prólogo da época futebolística, o ciclone tomou o nome de Costa Vieira. Mais uma pouca-vergonha, apesar de ambos os padrinhos do ciclone terem empregado a palavra vergonha, um sem número de vezes. Ora, sendo assim, devíamos falar de muita vergonha e não de pouca.

Mas, como não tenho nada com isso, que cada um deles fique com a vergonha que julga que merece, porque quem os atura, só os atura porque quer. No entanto, o país não merece tanta pouca-vergonha, para lá de todas as outras de que toda a gente fala, mas que toda a gente vai aceitando com mais ou menos vergonha.   

Deixando o prólogo e passando para os relvados, o dia de sábado acabou com foguetes no ar, porque houve um empate na Luz. Claro que os foguetes não estrelejaram por ali, obviamente, mas sobretudo lá para cima, onde dragões invencíveis, se convenceram que já tinham mais dois pontos que os lampiões.

É assim a competição, evidentemente, mas a competição também já demonstrou que é muito imprudente começar a festejar os desaires dos outros, antes de verem no que dá o que lhes toca. Precisamente, para não darem aso a que os outros retribuam os festejos, respirando maliciosamente de alívio.

Porque aconteceu o inacreditável. Um galo de barro, um simples galo de barro, conseguiu, surpreendentemente, com um bafo, apagar as línguas de fogo de um dragão que, por força do hábito de ganhar tudo, acabou murcho, num jogo onde devia ter demonstrado que a festa começava no primeiro dia e iria até ao último.

Mas ‘qu’a ganda galo!’, terão gritado os lampiões neste domingo ao fim da tarde, já refeitos da desilusão da véspera. Além de que muitos deles terão sentido aquela pontinha de vingança das bocas habituais dos antagonistas. É caso para dizer, perder não custa. O que custa é a cara com que se fica.

E, realmente, o outro antagonista, o ruidoso leão, não conseguiu rugido de jeito lá para as origens da nacionalidade e limitou-se a seguir os maus exemplos dos seus mais diretos competidores. Está a prometer, este início de época. Claro que não é prometedor para nenhum destes, especialmente para o indomável dragão.

Agora, seria altamente prometedor para a dignidade de uma competição onde se movimentam muitos milhões, se a verdade desportiva e o respeito mútuo entre todos os competidores, atletas e dirigentes, nunca mais gerasse os tristes espetáculos com que frequentemente são brindados os adeptos.

Daí que me apeteça dizer a todos que, de uma vez por todas, esqueçam que a palavra vergonha existe. Risquem-na definitivamente do vosso léxico, mas não se esqueçam de a ter em todas as vossas atividades.

 

 

Comentar:

Mais

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.