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afonsonunes

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23 Ago, 2012

Seguro e calado

 

Não restam dúvidas de qualquer espécie, de que o melhor é ele estar mesmo calado, se acaso se quer manter seguro. Já lá dizia o outro, não sei bem qual, que o calado era o melhor. Seguro deve estar de férias, e que bem as merece, motivo porque não tem gasto montes de energias a dizer sempre o mesmo.

No entanto, tinha boas razões para mudar de conversa, não porque lhe falte toda a razão mas, principalmente, porque o tempo joga a seu favor. Todos os indicadores vão correndo no sentido de que o governo atual, não só tem falhado tudo o que previu, mas está a deixar que tudo piore, quando tudo tinha que melhorar.

Depois de tantos elogios troikianos e de tantos sucessos anunciados pela seita que anda ao seu redor, as desilusões estatísticas sucedem-se em contradição com a onda de otimismo que tudo tem feito para nos fazer sentir felizes já ali ao voltar da esquina, com o futuro que nos espera.

No entanto, suponho que para estar mais seguro, o Tó Zé tem estado em silêncio, algures no gozo das suas férias, bem longe da mais que guardada Manta Rota ou da sossegada e tranquila estância turística do Parque Aquático da Quarteira, de onde vieram novas e fresquinhas notícias para o país que ainda não é de Seguro.

Segundo vozes que vão sendo cada vez mais correntes, os cidadãos poupam e o governo gasta. Acrescento que os cidadãos fazem o esforço de poupar cada vez mais, apesar de terem cada vez menos rendimentos, enquanto o estado gasta cada vez mais, quando as receitas fiscais caem de dia para dia.

Não há volta a dar a esta situação. Tudo o que era suposto melhorar com a tomada de posse do atual governo, está a piorar de hora a hora, ensombrando declarações quase radiosas, que quase nos fazem crescer água na boca. Portanto, temos de confortar-nos com estes, quase, que de mel, vão sabendo cada vez mais a fel.

É evidente que o Tó Zé não tem nada a ver com isto, daí que se mantenha quieto e calado. Ele sabe que a tática do seu amigo de outrora e inimigo de agora, salvo seja, não dá sempre bons resultados. Falar de mais é tudo o que Seguro não precisa neste momento. Falar de menos, quanto menos melhor e o melhor é estar calado.

Também quase vou ficando cada vez mais em pulgas, para saber o que mais merecerá os tradicionais elogios da troika quando, dentro de dias aterrar na Portela. A propósito, parece-me que ela devia agora aterrar em Sá Carneiro, ou em Faro, a melhor maneira de diversificar os carinhos com que ela é recebida no país.   

Sim, porque Portugal não é só Lisboa, apesar deste governo já nem sequer representar Lisboa. Daí que, com um pouquinho de simpatia, pudesse ser que a troika conseguisse conquistar o Porto, capital do norte sem governo, e Faro, capital do Algarve, com os hotéis vazios à espera que eles venham fazer turismo.

Assim, espera-se que Seguro comece e acabe a fazer turismo com eles, algures onde a troika também vá parar, para tentar captar para si e para as suas tão boas e apregoadas pretensões, os fartos e feios elogios anteriores ao governo. Que eles acabem por sair na rifa a Seguro, deixando o governo cheio de ciúmes.

Depois, tudo se transformará neste país. Passaremos a ter um governo ainda mais inseguro do que já temos, e um Seguro cada vez mais seguro de que, qualquer dia, seguramente, acabará por ter a compensação de ter conseguido estar calado, até que o seu amigo e companheiro se canse de tanto falar para o boneco.

Peço as maiores desculpas por esta infeliz tirada com um boneco metido a martelo nesta cena. Se ele fala para o boneco, os bonecos somos nós, todos aqueles que o ouvimos. Porque ele quando fala, supostamente que fala para nós. Mas, honra lhe seja feita, seguramente que Seguro, quando falar, vai dizer o mesmo.