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afonsonunes

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24 Ago, 2012

Os três mosquitos

 

Os Três Mosqueteiros fizeram milagres para salvar a Coroa Francesa e a própria Europa, logo depois de encontrarem o jovem D’Artagnan que passou a ser o quarto mosqueteiro e principal herói do quarteto guerreiro ao serviço do rei de França. Isso já lá vai longe, mas a história, por vezes, trá-los à nossa memória.

Agora, também nós podemos orgulhar-nos de ter os nossos três mosquitos, os nossos Porthos, Athos e Aramis, não com estes nomes, obviamente, mas já sobejamente, e justamente, claro, conhecidos pelos seus apelidos bem portugueses. Tal como bem portugueses são os seus feitos pela salvação do seu e nosso país.

Podemos começar por referir o nosso mosquito Pereira, o homem que oportunamente desembainhou a espada, desceu do cavalo importado do Canadá e atirou-se com um furor inaudito contra os ditos males crónicos da nossa economia. Não regateou esforços, principalmente, no levantamento da situação existente.

Depois de abandonar o cavalo, também deixou cair a espada e resolveu começar a simular umas pegas de cernelha aos empresários que o ameaçaram de que investiriam contra ele, se ele não investisse por eles. Havia, e parece que ainda há, uma certa diferença entre investir marrando e investir mamando.

Em boa verdade, a tourada entre todos eles não está a ter o sucesso da tourada das Festas da Agonia em Viana. O barulho é muito semelhante, mas Lisboa não é Viana. Nem os empresários são da estirpe de se deixar pegar, nem o nosso Aramis tem pendor para pegas de caras. Só de cernelha e sem palmas nem olés.   

Segue-se o nosso herói Athos, de seu nome Gaspar, o mosquito que pôs o país quase inteiro a fazer contas de sumir. Os poucos que escaparam a essa estranha contabilidade viram os seus saldos bancários mensais a crescer ainda mais que os erros continuados das previsões do nosso mosquito Gaspar.

Dizem que ele é muito mais rápido a picar do que a falar. E a verdade é que ele pica mesmo a sério nos funcionários públicos e nos reformados. Ia dizer que é assim do tipo melga, mas na verdade são picadelas muito mais dolorosas e venenosas que deixam na pele o estigma da discriminação do público perante o privado.

Este nosso mosquito picante vai certamente dentro de dias ensaiar novas técnicas de picanço perante o júri viperino internacional. Claro que quem dita as instruções são as víboras, mas a rapidez de raciocínio do mosquito vai ser determinante. Espera-se que fale com eles um bocadinho mais depressa do que fala connosco.

E agora entra em cena o mosquito mais ágil e mais rápido dos três. Porthos, mosqueteiro, é uma cópia em miniatura do nosso mosquito Relvas. Se aquele era mestre na espadeirada que distribuía sem ser necessário pensar, este, o mosquito, cada vez que pensa, consegue um curso que eleva a média da cultura nacional.

Cada vez que levanta um braço, é o sinal de partida para todos os portugueses que diariamente têm de fazer corridas loucas para que no fim do dia tenham um bocado de pão em cima mesa. Em contrapartida, o nosso mosquito Relvas anda de mesa em mesa, estabelecendo as regras da dieta de todos os exaustos atletas.

O seu zunir normal baixou um pouco o tom nos últimos tempos. Mas tal pode dever-se simplesmente ao facto de estar muito ocupado a fazer o papel de mosca da televisão. O seu estatuto de mosquito dentro do grupo guerreiro vai muito para além do uso do seu ferrão. Dos três mosquitos ele é o mais mosquiteiro de todos.   

Tal como os três mosqueteiros eram quatro, os nossos três mosquitos também têm o seu D’Artagnan. É o quarto mosquito, de nome Coelho. Sem ter a presunção de fazer comparações de liderança entre o quarto mosqueteiro e o quarto mosquito, diria que Coelho não tem espada nem cavalo. Mas é um bom quarto mosquito.