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afonsonunes

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De há longos anos a esta parte a televisão dita pública e mal dita portuguesa, não tem passado de um canal sectário, sob todos os aspetos com que nos disponhamos a analisá-la. E, além de sectária, um sorvedouro de dinheiros públicos, pagos por quem nunca esteve disposto a pagar propaganda que só agrada a alguns.

Prestes a dizer adeus a esta singularidade de serviço público, há quem esteja muito indignado por ver neste adeus, o fim de um serviço público que nunca existiu. Porque aquilo que temos tido ao longo de muitos anos é um serviço que se tem pautado por uma bipolarização de notícias que acaba por servir um só destinatário.

Trocado isto por miúdos, o canal dito público, serve a direita de duas maneiras distintas. Por um lado salientando tudo pela positiva, quando se trata de evidenciar a atuação da direita. Por outro lado, dando especial realce a tudo o que diz a esquerda pouco credível, para fazer crer que toda a esquerda é irrealista.

Esta é a televisão estatal que temos, cujas fontes informativas são o PSD e o CDS de um lado, e o PCP e o Bloco de Esquerda do outo lado. O resto não presta. Grosso modo, a informação reparte-se entre o ótimo da direita e o detestável, mesmo que dito em tom suave, de uma esquerda em que poucos acreditam.

Dito de outra maneira, essa informação pretensamente pública e independente, pretende fazer-nos crer que temos duas alternativas. A ótima e a péssima. Dedutivamente, não há termo intermédio, não há boa nem há razoável, que possa contrapor-se aos dois extremos que nos querem meter pelos olhos dentro.

Esta teoria pode aplicar-se à política como pode aplicar-se ao desporto. Quem quiser e puder ver as coisas sem aquelas lentes grossas, fortes e demasiado coloridas, facilmente se aperceberá que o país está sob uma forte pressão de cores que não podem ter contraditório, nesta televisão que todos nós pagamos.

Mas que, no entanto, muitos de nós já não suportam por ser muito mais sectária que aqueles canais que são mesmo privados, mas que são capazes de ter um bocadinho de decência e de respeito por todos aqueles que já se cansaram de ver abandalhar o conceito de público, muito pior que o privado.

Ao que parece, este serviço público vai mesmo à vida. E esta espécie de serviço público, muito pior que qualquer serviço privado, é uma aberração para os portugueses e para Portugal. Daí que, pelo que me toca, que vá em boa hora, porque não há nada mais indesejável, que aquilo que só mete nojo.

E que, além de meter nojo, ainda nos suga o dinheiro que nos faz falta para tantas outras coisas. No entanto, se o estado continua a dar esse dinheiro a mais uns tantos amigos, em lugar de o guardar bem e distribuir melhor, não sei por que carga de água terá que o dar a quem o esbanja, em lugar de o dar a quem precisa.

Mais que provado está agora que realmente o estado só quer reter para si, aquilo que ninguém mais quer. Mas há muito quem queira uma televisão que faz muita falta ao povo português. Contudo, se o povo não tem, nem vai ter, o que precisa, então que os nossos usurários nos aliviem dos muitos encargos que ela nos custa.

Que a vendam, que a deem ou que a emprestem, mas que nos não façam pagar o que não vamos ter. Já estamos fartos de ter o que não queremos. Já chega, basta, pois só nos resta esperar pelo dia em que alguém nos devolva tudo o que é nosso. Até lá, que Deus nos dê paciência para esperar.

(Entretanto, calma! Muita calminha, pois parece que não é bem assim. O borgesso, afinal, só mandou umas bocas a ver se pegava o barro na parede. Mas, ao que tudo indica, e como é costume, vai pegar, de uma maneira ou de outra).