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afonsonunes

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O nosso país tem uma fauna invejável a todos os títulos, facto que desperta os mais variados apetites, dos mais avariados gostos por todas as oportunidades que se integrem nos desejos do que é dado, emprestado ou concessionado, ainda que se diga que é comprado, desde que o custo seja igual ou inferior a zero.

Tem-se falado muito em tubarões na costa portuguesa e em alforrecas nos areais das nossas praias, tudo espécies que alguns consideram novidades que podem surpreender os mais incautos. No entanto, os mais atiradiços para os negócios, que os temos, não perdem a oportunidade de dar asas à sua criatividade.

Com ela em mente vamos à importante questão do preço. Já me constou que há propostas de concessão das praias de todo o país, para salvar os banhistas do perigo que representam aquelas espécies. A mais interessante dessas propostas consiste em entregar essas praias a um único concessionário, por um prazo de vinte anos.

Ah, pois o preço. O concessionário tem obrigatoriamente de ser um tubarão nacional, desses que sabem que o estado paga bem a quem lhe retire o trabalho de ganhar dinheiro. Além disso, um grande tubarão da nossa praça tem muito mais probabilidades de lidar bem com os pequenos tubarões que andam na água.

Já lá vamos à questão do preço, porque isso é muito importante. Mas, importante é também a questão das alforrecas que andam por todo o lado e que, por acaso, até se dão otimamente com os tubarões. Enquanto as alforrecas infetam os banhistas, os tubarões limpam-lhes o sarampo quando estão a coçar a comichão.

É evidente que esta combinação de esforços tem o seu preço. Preço que o estado não pode deixar de ter em atenção, quando concretizar o negócio da concessão das praias. No entanto, e como vem sendo habitual, primeiro tem de contratar um tubarão, única e exclusivamente para anunciar uma solução.

Pois, pois, a questão do preço está relacionada com a solução avançada pelo tubarão em jeito de sondagem. Haverá alforrecas que ficam como sacos de plástico, haverá sacos de plástico que passam por alforrecas e até estou em crer que haverá verdadeiras alforrecas que se metem dentro de sacos de plástico.

É por isso que a concessão dos vinte anos está tão complicada no que respeita ao preço. Que não pode ser muito barato, senão dizem que houve cambalacho de tubarões. Mas que também não pode ser muito caro senão dizem que não foram salvaguardados os direitos das descapitalizadas alforrecas.

Por mais que queira não consigo, por enquanto, encontrar um preço digno para todas as partes. Para a parte do governo, não haverá problema, porque dignidade nunca lhe faltou, nem vai faltar. Para os tubarões só haverá dignidade se receber a concessão e mais um balúrdio anual para a manter. As alforrecas?

Boa pergunta, mas essa não tem preço. Nesta matéria tão simples e linear, como são os tubarões e o governo, não tem qualquer cabimento estar a perder tempo com alforrecas. Até porque tempo é dinheiro e quanto mais se gastar a discutir preços, mais as vítimas dos tubarões, do governo e das alforrecas terão de pagar.

Mas, já agora, sempre direi que o governo me pediu para informar o pessoal, que se vai submeter à vontade dos tubarões, no sentido de lhes conceder gratuitamente uma concessão para que sejam eles a governar o país durante vinte anos. Fica assim resolvido, e bem, o problema do preço da concessão de todas as praias.