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afonsonunes

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Podia não ser, mas é precisamente a lembrança de gente mais madura ou mais verde que me veio à raiz dos cabelos. Podia ter-me lembrado de abordar os novos e os velhos métodos de ensinar ou de governar a vida dos partidos e do país, tal como podia amassar mais uma data de palavras sobre novas e velhas oportunidades.

Hoje, porém, o meu pensamento deslizou para Castelo de Vide, onde me constou que vai funcionar uma universidade que, curiosamente, terá a sua atividade restringida aos últimos cinco dias de Agosto, mais os dois primeiros dias de Setembro. É este o verão que ela dura e lhe dá o nome.

Sete dias de duração de uma universidade que, nestes moldes, já funciona há dez anos. Para mim, uma iniciativa que junta os velhos e os novos de um partido que, não sendo único, nos tem dado grandes e velhos nomes de muito prestígio, de muitos vultos da nossa governação e muitas glórias dos sucessos do país.

Tudo isto, equacionado com os tais sete dias. É evidente que cursos de sete dias sempre são melhores que cursos por equivalência, outra modalidade que, ao que suponho, ainda não foi introduzida nesta profícua universidade, nem neste quente verão, nem nesta bonita localidade alentejana.

Mas, equivalência que já o foi na nossa governação, desde que os velhos governantes, em universidades de verão ou de inverno, com sede em Castelo de Vide ou em qualquer outra bonita localidade portuguesa, transmitiram os seus saberes aos novos governantes saídos destas novas universidades.

Saberes que, pelos resultados obtidos ao longo de muitos, mesmo bastantes anos, nos deixaram o lindo, melhor, bonito país que temos. E, como a universidade de verão continua a laborar eficientemente, assim teremos o país por bastantes anos mais. Mas, é sempre bom lembrar, são muitas as vantagens de cursos de sete dias.

Sete dias que correspondem a seis jantares com seis gradas personalidades garantidas e seis discursos da mais elevada qualidade que, tudo somado, resultará em, no mínimo, seis futuros ministros garantidos. Não se pode dizer que Castelo de Vide seja uma fábrica de ministros, mas uma boa turma, talvez.

Falta referir o sétimo dia. Suponho que não haverá jantar, porque alunos e professores precisam de ir dormir a casa, cheios de saudades das famílias, depois de um período letivo esgotante, onde se encheram sebentas e mais sebentas de apontamentos e onde os exames, exigentíssimos, aprovaram só os melhores.

No sétimo dia não haverá jantar. Mas haverá o almoço e os respetivos discursos. O discursador principal terá de ser o maior e o melhor lente da universidade. Realçará o êxito do curso, sem chumbos, e agradecerá a todos os sapientíssimos professores o grau de qualidade dos doutores que acabaram de dar ao país e ao partido.

Entretanto, Castelo de Vide teve a sua semana sem crise. Só lamentará, sim, porque neste país de lamúrias, haverá sempre quem se lamente, lamentará que a universidade não esteja aberta todo o ano. Ou, ao menos que estivesse aberta quando está fechada, e estivesse fechada, apenas quando realmente está aberta.

Talvez o ministro do ensino superior apareça por lá e faça uma forcinha para que o próximo ano letivo seja ainda melhor. E, já agora, que distribua umas tantas equivalências de cursos de extrema exigência para as qualificações que mais notoriedade têm dado ao partido e ao país. Como temos visto agora.

E é assim que se faz a renovação da nossa qualificada classe política. Universidades de verão ou de inverno, cursos de sete dias com mais ou menos jantares e almoços, com mais ou menos bónus de equivalências e discursos, muitos discursos. Ressalta à vista desarmada que estes doutores são os melhores do mundo a discursar.   

Depois, com uma classe docente daquelas, em que há uma simbiose perfeita entre gente de ontem e gente de hoje, só pode resultar numa geração em que os velhos transmitem novas experiências e os novos aprendem velhas teorias. Com isto, longe de mim a ideia de estar a chamar velho ou novo a alguém.