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afonsonunes

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29 Ago, 2012

Três dias no céu

 

Há cada vez mais descrentes a dizer que o país está a viver no inferno e cada vez menos crentes que, persistindo na sua fé, lá se vão benzendo com mais frequência do que habitualmente o faziam. A verdade é que os crentes e os descrentes andam atormentados com a ideia de que há qualquer coisa de errado neste paraíso.  

Realmente, os santos parecem estar de tal maneira dependentes de poderes estranhos que nem a esperança de um ou outro milagre lhes restitui a confiança que sempre depositaram nas seu poder celestial e nas orações dos seus fiéis devotos. Uns e outros começam a recear os sinais de um qualquer poder satânico.

Subitamente, parece que tudo voltou à graça dos deuses no dia de ontem. Tudo porque um profeta desconhecido anunciou a partida de um temido satanás a bordo de um avião que foi a caminho de Timor Leste, rotulado de representante de Portugal. Só pode ser o representante do temível inferno que temos.

Imagino a estado de espírito dos timorenses, que acreditam no céu e no inferno, ao aperceberem-se de que os despachantes portugueses lhe enviaram, em classe turística, o representante do inferno luso. Que reganha, assim, o privilégio de reconquistar o céu, enquanto esse satanás estiver em terras timorenses.

Já se sabe que serão apenas três breves dias para nós, portugueses, mas que serão três longos dias para os temorosos timorenses que, se não tiverem tampões para os ouvidos, muito vão ter que arreganhar os narizes com a doutrina que lhes é levada, precisamente, de onde mais esperavam um pedacinho de céu, como dantes.

Com muita pena deles, timorenses, resta-nos aproveitar esta aberta do céu, esperando que esse satanás deixe por lá, bem escondidos, algures nas montanhas de Gusmão, alguns dos seus mais diabólicos planos de subversão da sociedade portuguesa, à beira da sua condenação às profundezas dos infernos.     

Entretanto, pensemos no céu destes três dias. Três dias de troika sem a interferência da maldição satânica. Três dias de uma universidade de verão com cem doutorados garantidos. Três dias de muitos catedráticos de sete dias em cada ano. Três dias sem a eloquência do mais rápido e famoso doutor do país.

Mas, sobretudo, três dias de uma televisão limpa, sem granulados perniciosos, sem o sobressalto do destino de milhões, sem o susto dos muitos trabalhadores que não sabem se vão à vida, sem o frete das notícias que o satanás impinge, ou manda impingir, aos telespetadores, sem os chatos telefonemas para os jornais.

E também um descanso, muito repousante para a administração da RTP, que pode estar tranquila de que nestes três dias ninguém lhe vai dar ordem de despejo, nem vai anunciar quem serão os compadres que lhe vão suceder. Não é que tenham receio do desemprego, mas ficariam com saudades dos grandes planos.

Aposto que muitos timorenses, na próxima quinta-feira, ficarão a pensar para si próprios, afinal o que veio este cá fazer. Ainda não sabemos muito mas, com ele, também não aprendemos nada. Nem convém. Fica-nos a dúvida, se acaso não foi ele que veio à procura de qualquer coisa em que é especialista.

Ora aí está a chave do problema. Ele está interessado em mais um curso do qual agora não me ocorre o nome. Mas, faltam-lhe duas cadeiras. Como vai ter uma aula com o Gusmão e outra com o Matan, aí estão as duas equivalências que lhe garantem o curso. Ah, o nome do curso: ‘ Relvados de Timor Leste’.

 

 

 

 

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