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afonsonunes

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30 Ago, 2012

Infanticidas

 

Já se sabe quantas foram as crianças abatidas à socapa dos papéis onde haviam sido metidas a martelo. Só não sei ainda quantos foram os infanticidas que cometeram essas barbaridades através de uma simples esferográfica ou de uns duros batimentos nas teclas dos seus computadores.

É de crer que haverá quem tenha cometido infanticídio duplo, ou ainda mais alargado, visto que há coragem e lata para isso e muito mais. Portanto, não devem estranhar que quem de direito lhes mande a sentença através de papéis ainda mais cruéis que aqueles que causaram todos estes crimes de lesa família.

Se estes infanticidas estavam tão necessitados de ter crianças, que tivessem a coragem e a energia suficientes para as fazer, dotando o país de sangue novo, mas real. Nada justifica esta danosa e ilegal fábrica que pretendeu produzir sem funcionar, enganando e burlando todos os cidadãos deste país.

Certamente que não foi por infertilidade ou por impotência que recorreram a esse método fraudulento, nem tão pouco por uma qualquer ocorrência imprevista. Foi por um ato deliberado de malandrice que extravasou a proveta ou desperdiçou a recolha que foi parar a lugar errado. E nem sequer se aproveitou o prazer.

Ao que parece, os infanticidas já foram notificados. Suponho que será para lhes retirar do bolso o dinheiro suficiente para que lhes saia da consciência o peso do crime que ousaram praticar. Sabendo-se que, consciência é coisa que não devem ter, que lhes mostrem também, que jamais terão vontade de repetir a triste proeza.

Por exemplo, fazendo-lhes ver a quantidade de crianças que estão a passar muito mal, porque lhes foi retirado o apoio que lhes garantia uma vida decente. Ou foram retirados aos pais, os rendimentos que vinham do trabalho que deixaram de ter ou dos subsídios a que tinham direito e lhes foram retirados.

Tudo porque o dinheiro que os infanticidas roubaram ao estado, obrigou o estado a retirá-lo a quem sempre cumpriu com os seus deveres. Porque o estado também nunca foi capaz de controlar devidamente estes e outros criminosos que tudo levaram e nada devolveram, nem o estado fez o que devia para que tal acontecesse.

Tudo porque o estado sempre foi buscar o dinheiro em falta ao bolso dos cidadãos que mais trabalham e menos ganham, deixando roda livre à malandragem e à agiotagem que continuam a engordar cada vez mais. Com esse estado injusto e cruel a impingir-nos estúpidos argumentos para justificar a estupidez.

É uma estupidez intolerável, que tivesse sido possível que os pais de cento e trinta e cinco mil crianças fictícias tenham tirado o pão da boca de milhares de crianças reais, de carne e osso, cujos pais todos dias se sacrificam para que elas não sejam riscadas à força dos papéis do fisco. Se é que algumas delas o não foram já.

Mas, não é difícil adivinhar que, a continuar este estado de coisas e este estado que só cuida de si próprio e das suas clientelas, o futuro vai trazer cada vez mais desilusões, mais injustiças e mais crimes e criminosos. Por mais que nos garantam contas certinhas e direitinhas. Nem precisamos de lhes tirar a prova dos nove.

Se há coisa em que é preciso mudar de agulha, é no que diz respeito à verdade e ao combate a todas as espécies de fraude. Do estado, em primeiro lugar, para que depois o estado tenha a força e a coragem para acabar com todas as fraudes. As dos seus clientes mais próximos, mais afastados e as dos seus detratores.

Depois, sim, os governantes e os políticos em geral, podem falar com todos os portugueses de olhos nos olhos, pedir-lhes que ajudem o país, desde que o povo saiba que está a ajudar-se a si próprio. Mas, para que tal aconteça, ainda há um longo caminho a percorrer.     

 

 

 

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