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afonsonunes

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Acabaram as conversas dos cem milhões, dos cinquenta milhões, dos vinte milhões e até dos cinco milhões. Até à meia-noite todos esses milhões puderam andar no ar a ver se alguém ia nessa conversa de vivaços para patinhos, sendo que estes pagam bem para ver como aqueles gozam.

Como é bem de ver falo dos milhões das transferências que fecharam a noite passada. Como é costume foram mais as vozes que os milhões, porque esta coisa das transferências não funciona sempre como os negócios da feira da ladra. Porque a feira tem apenas o nome e a ladroagem anda por outras bandas.

Neste momento já são conhecidas as transferências efetivadas e as abortadas. As mais sonantes, porém, nem foram efetivadas nem abortadas, porque nunca tiveram sequer um simples porta-moedas por detrás delas para as concretizar. Mania das grandezas que só demonstram as misérias que por lá vão.

A mais sonante das transferências concretizadas à última hora veio a acontecer com a RTP. O ministro Relvas surpreendeu toda a gente, provavelmente até o próprio governo, ao abrir vaga para mais umas tantas aquisições que já deviam estar na agenda desde há um ano e tal.

A administração agora envolvida na transferência cometeu o gravíssimo erro de ter chamado nomes ao árbitro. Ainda não são conhecidos esses nomes mas, mesmo que o fossem, não os podia citar aqui, porque não tenho apito para lhes sobrepor. De qualquer forma, nestes negócios de milhões nunca há coitadinhos.

Também mais ou menos badalada tem sido a transferência do ministro Portas para o clube dos escutados. Tem emergido muito mais que submergido, mas a verdade é que conseguiu já um autêntico recorde de manutenção de escutas em segredo de justiça. Prá aí cerca de três anos sem uma palavrinha sobre o assunto é obra.

Esta transferência envolveu milhões mas, no dia de ontem, até à meia-noite, ainda ninguém sabia quem os teria recebido e quem os teria pago. Outro recorde nestas andanças das transferências, uma vez que o costume tem sido as notícias serem divulgadas muito antes de elas se terem concretizado.

Várias são as transferências desejadas mas não concretizadas porque, entretanto, chegou a meia-noite e os milhões prometidos não apareceram. É o caso do doutor Borges que acabou por ficar onde estava e, surpreendentemente, a fazer exatamente a mesma coisa. Precisamente, por falta de verba para a transferência.

Falou-se muito da transferência do ministro Pereira mas, uns minutos antes da meia-noite, teve a sorte de justificar o suor do seu trabalho com o afastamento da banca rota, da responsabilidade exclusiva do governo anterior que, pensou, ainda conseguiu ser mais irresponsável que ele. Foi a sua sorte senão voltava ao Canadá.

Passos e Relvas tinham, pelo lote, ofertas de incontáveis milhões, vindas de todo o mundo. Até há quem diga que bateram todas as ofertas do Incrível, tanto em valor como em quantidade. Mas, a salvação das pátrias depende deles. A pátria do Porto e a pátria de Lisboa entenderam que não há dinheiro que os pague. Três incríveis.