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afonsonunes

afonsonunes

03 Set, 2012

Quem diria

 

Nunca me passou pela cabeça que pudesse ter um domingo tão cheio de emoções e surpresas como o de ontem. Pedir mais, só de quem, de todo, se tivesse passado, ou tivesse estado o dia todo de papo para o ar, na praia, aproveitando os últimos suspiros deste verão que não se sabe ainda quando vai acabar.

Na verdade, ninguém poderia prever esta sucessão de factos tão importantes como os que foram trazidos à luz do dia por gente de que não podemos duvidar. Por gente que, em teoria, obviamente, não fala, decreta. E, sendo assim, nós temos a estrita obrigação de agir, acreditar e engolir, sem pestanejar.

Começo pelo ensino do veraneio em que se encerraram duas universidades praticamente à mesma hora. Encerramentos é coisa que o país mais conhece, mas aos domingos já não é tão vulgar. Certamente que o país virá a colher benefícios que o farão mudar em muitas coisas. Com alunos daqueles é mais que seguro.

Houve uma convidada muito especial que levou para ali uma lição exemplar de isenção da justiça que ela ajuda a administrar. Lembrou lá, aquilo que todos os portugueses sabem de cor e salteado. Que Portugal não é um país corrupto. Se tivesse ido a Évora, àquela hora, estou convicto de que diria exatamente o contrário.

Mas, quem vai a Castelo de Vide não podia estar em Évora, obviamente, e o facto de ter escolhido, também leva a crer que escolheu bem o que devia dizer. Porque ali, naquele local, não havia corruptos nem corrupção. Se acaso havia indícios dessas coisas, talvez estivessem, nesse momento, lá mais para o sul alentejano.

De qualquer forma, só pode ser coisa residual, como quando se fala na vida que o homem faz por lá. Não percebi a que homem se referia, nem a que vida, ou o que se quer dizer com, por lá. Fiquei com a sensação de que se aludiu a viagens de submarino. De qualquer forma, disciplinas muito úteis numa universidade de verão.

 Mas, sempre houve alunos que ficaram a saber que corrupção, é uma coisa de funcionários que se vendem, ou querem vender-se. Muito bem dito. Ali não havia funcionários que pudessem ofender-se. Mas havia alunos impolutos, professores intocáveis, políticos sãos e honestos, convidados escolhidos a preceito.     

Pelo reitor da universidade, que também é o reitor do governo, ficamos a saber que o défice está a cair. Logo apareceu alguém a dizer, só se for a cair para cima. Curiosa, esta nova lei da gravidade que contrasta perfeitamente com a antiga lei da facilidade. Começa a colocar-se o problema de, qual delas é a preferida do povo.

O reitor reiterou o facto de estar a fazer tudo como devia, enquanto alguém se apressou a dizer que o reitor não acertou uma. Esta maneira de dizer as coisas é engraçada, mas eu é que não consigo entender a razão de ser só uma. E também não acerto, a qual delas é que o afirmante se refere.

O reitor deve ter toda a razão em dizer que a oposição tem uma visão errada da realidade. Por mim, há muito tempo que ando desconfiado que também tenho andado a errar e que, tal como essa oposição, aceito a crítica sensata do reitor, de que ela deve ser mais amadurecida, porque, digo eu, só assim será mais doce.

Agora, para espanto de Portugal inteiro, neste último domingo, alguém dessa verde e amarga oposição, teve o desplante de afirmar que este governo é mais perigoso que o de Sócrates. Naturalmente que muita gente deve ter ficado muitíssimo preocupada. Acho, sinceramente, que isto merecia um raspanete.

O grande problema é, quem devia ter essa tão honrosa como perigosa incumbência. Porque tal incontinência verbal despertou, sem dúvida, uma reação de repúdio generalizado. Mas, o encarregado de entregar o raspanete, corria o risco de levar como resposta, um raspanete duplo. E isso é risco que só eu posso correr.

Quem diria que, passado tão pouco tempo, houvesse um tão claro arrependimento de alguém que não foi capaz, mais um, de não ter a necessária capacidade de prever o futuro. Talvez por isso, penso eu com alguma lógica, que estará perto de fazer o que poucos políticos têm a coragem de fazer. Ir arejar as ideias para outro lado.

Fica-me cá uma dor miudinha a remoer no estômago. Gostava que me explicassem de onde e como é que o perigo que nos vem destes novos perigosos, é maior do que o dos anteriores. Porque, dizer que, quem diria, não me adianta, nem me atrasa. Mas, o que eles dizem, perdão pelo populismo, começa a meter medo ao susto.