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afonsonunes

afonsonunes

06 Set, 2012

Obrigado doutor

 

 

Este meu obrigado vai para o doutor Freitas do Amaral que, no meu entender, teve a coragem de mostrar que na direita dos dinheiros pornográficos, ainda há uma ou outra pessoa que põe a voz da consciência acima dos interesses que ofendem todos aqueles que não conseguem levar para casa mais que uns míseros euros que mal dão para pagar a água que têm de beber.  

Não é que o doutor Freitas do Amaral esteja a propor, ou a alvitrar, que o pornográfico dos salários se transforme na justa e equitativa relação dos rendimentos em tempo de excecional austeridade. É, simplesmente, pelo facto de ser dos primeiros entre os seus pares, a reconhecer que as práticas do governo e seus apoiantes, está em total desacordo com a equidade no combate à crise.

Dos quatrocentos e tal euros mensais que recebem uns, até às centenas de milhares que recebem outros, vai a mais humilhante das injustiças. Se lhe acrescentarmos a vergonha das justificações para a não contribuição destes últimos para os impostos e para os cortes que não os atingem, a vergonha de quem tal permite não tem qualificação possível neste país de hipócritas e de mentirosos.

O doutor Freitas do Amaral levanta um problema extremamente pertinente, mas peca por atirar com valores ainda muito longe do mínimo que se pode considerar razoável. Melhor que nada, sem dúvida, mas a decência exige muito mais. Não se pode pedir que sejam só os ricos a pagar a crise, tal como não se pode tolerar que sejam apenas os não ricos a suportá-la.

Sabemos que os ricos, pagando mais ou menos impostos, nunca viverão em crise. Nunca sentirão na pele os seus efeitos. Pelo contrário, os pobres e a classe média que é atirada para a pobreza, por pouco que lhes cobrem a mais nos impostos, e é já demasiado o que lhes exigem, é uma maneira de paralisar o país, porque quem paralisar quem trabalha, paralisa a produção de riqueza.     

Como disse o chefe do governo a propósito do aumento de impostos, ninguém o quer, tal como ninguém quer que não se produza riqueza. Os ricos e o governo precisam dela. Então, pensem no que disse o doutor Freitas do Amaral. Corrijam os seus números. Depois, sim, talvez os portugueses entendam as palavras que até aqui não têm passado de propaganda dos governantes e outros responsáveis.

 

 

 

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