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afonsonunes

afonsonunes

08 Set, 2012

CUSTA MUITO

 

 

É evidente que custa muito aceitar uma qualquer maneira de nos irem ao bolso, principalmente, quando nos atiram com uma carrada de desculpas que só poderão ser entendidas por quem tem uma outra carrada de ideias preconcebidas, ou de ressentimentos que inibe o raciocínio frio. Que têm de nos ir ao bolso, isso não tem discussão, mas há outras discussões por fazer, que muitos não admitem.

Basta ouvir alguns dos muitos, grandes e bons intelectuais que se têm pronunciado sobre esta triste situação, que tanto nos está a dar cabo da vida. Esses intelectuais, que estão libertos desta purga partidária que nos sufoca, apontam males que não lembram a estas castas que proliferam nos partidos, especialmente, sempre a dar mais nas vistas na área do poder, como sempre acontece.

Porque o poder sempre se defendeu com as mentiras que lhes ditam os interesses instalados e sempre ignorou as evidências do que lhe dizem as pessoas isentas que lhes não vão ao beija-mão. Mas, também as oposições têm assuntos tabu que lhes não interessa discutir, interessando-se mais pelas bonitas frases feitas, que julgam que soam bem ao ouvido, mas que cheiram a mofo como as velharias.

É por isso que custa muito ver a maneira como nos vão ao bolso. Se lembrarmos tudo o que nos têm dito ao longo do tempo, não é difícil descobrir como se vão contradizendo, à medida que vão tendo necessidade de arranjar novos argumentos, que não passam de velhas mentiras, para se libertarem airosamente, julgam eles, daquelas que o tempo não deixa esquecer.

Começa a ser cada vez mais difícil continuar a engolir tanto pacote com rótulo de patriotismo, de tanto amor ao país, de tantos sacrifícios pessoais, que não contêm mais que o folheto partidário que já está a promover as próximas eleições. Que é preciso ganhar, como sempre, nem que tenha de se vender a alma aos diabos. Depois, os diabos, tudo compensam, como é facilmente provado com o que vemos.

Porque, estes diabos que nos mantêm neste inferno, também têm o seu espaço celestial para quem puder e souber alimentar o infernal fogo que nos queima, fornecendo-lhe a energia que vão retirar do nosso esforço, do nosso trabalho, da parte dos nossos salários e das nossas reformas. Sempre com a divinal desculpa do passado e a vã promessa de que já começamos a estar salvos.

Custa muito viver assim. Todos os sacrifícios se suportam quando nos revemos nas verdades da sua origem. Custa muito ver como nos querem impingir origens alheias que só a eles se devem. Ou, que também a eles se devem. Não custava tanto ajudar a resolver os erros, se deles se penitenciassem todos os seus autores. E os destes, já ultrapassaram tudo o que era previsível. Custa muito aceitar isto.         

Sobretudo, quando quem nos põe a pão-e-água quer convencer-nos de que estão a trabalhar muito e humildemente pelo nosso bem-estar futuro. Que estão a corrigir erros que, mete-se pelos olhos dentro, só nos empurram para a cova que nos estão a obrigar a abrir. Custa muito ver cravar o punhal nas nossas costas, depois de fingirem que nos tapam os olhos para que não vejamos os carrascos.

Em última instância, e até ao momento final, há sempre a esperança de que surja quem pode, e suspenda estes ataques, coerentemente com algumas palavras proferidas um tanto enigmaticamente, é verdade. O momento não é para enigmas ou para meias palavras, porque é tempo de se escolher o lado de onde se quer estar. De indecisões e de boas intenções estamos nós fartos.