Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

afonsonunes

afonsonunes

10 Set, 2012

Gabriela

 

Estou cansado de dar voltas ao miolo à procura de uma sósia nossa, da Gabriela, para lhe meter na pele o desempenho da versão portuguesa da popularíssima e inesquecível brasileira que fez vibrar Portugal há muitos anos. Quem viu então a novela, lembra-se das emoções e complicações que então viveu agarrado à TV. Das complicações é melhor não falar aqui.

Pode ser que a segunda versão que aí vem, consiga levantar o moral e, se possível, mais alguma coisa que faça felizes os portugueses de segunda, que são os mais atingidos pela falta de energia positiva. O país bem precisa, agora mais que nunca, de um xarope que levante tudo o que anda em baixo. Claro que a Gabriela não é xarope, mas no Bataclã é coisa que não faltou, nem vai faltar agora.

Neste mesmo momento, estou a ver se invento qualquer coisa que se pareça com um casting novo para a nossa versão da Gabriela. O papel principal parece-me que ficaria bem entregue a uma Assunção, senhora da agricultura dos nossos ilhéus, assim, de certo modo, semelhantes aos montados alentejanos, ou às encostas vinhateiras do Douro. A agricultura serve mesmo para levantar o país.

Lá está. Presuntos e vinhos para animar o Bataclã, onde a Assunção seria uma irresistível atração. Com ela, o nosso simpático Álvaro a dar viabilidade económica ao estabelecimento, seguindo as pisadas do inconfundível Nacib. Assunção e Álvaro, símbolos da canela e do cravo, que são candidatos às sete maravilhas das especiarias dos nossos ilhéus, também chamados Portugal.

A nossa versão da Gabriela, não ficaria decente sem um Nico muito especial e, sobretudo, muito viajado, impecável no vestir e no pentear, de nome Paulo. Animador, risonho, conversador, volátil, cheio de segredos e de táticas, julgo que para ver se chega à Assunção, pela qual não se importaria de mergulhar à profundidade, mas com uma boa máscara. Para herói de novela, nada o suplantaria.

O meu amigo recente, Pedro de seu nome, ficaria à frente da galeria política da novela, incarnando o consagrado coronel Ramiro. A seu lado o coronel Miguel e o coronel Aguiar, secundados pelos sargentos-ajudantes Montenegro, Amorim e Borges, entre outros. Ainda tentei meter um comandante geral neste elenco, mas concluí que arriscava distorcer o normal funcionamento do Bataclã.         

Bom, isto está quase. Mas não ficaria completo sem o recalcitrante doutor Mundinho que, não sendo fácil, também tive que o encontrar entre nós. Ainda pensei no Tó Zé. Mas, achei-o fraquinho. Fala, fala, mas diz sempre a mesma coisa. Depois, lembrei-me do Sousa. Achei-o forte de mais. Finalmente, virei-me para o Francisco. Ora aí está o doutor Mundinho perfeito para vencer os coronéis.  

É evidente que esta novela nunca podia aspirar a ser passada na RTP. Mas podia contar, de certezinha absoluta, com o patrocínio de uma cervejeira nacional, para o funcionamento do Bataclã. E os coronéis devem beber que se farta, a avaliar pelo excelente trabalho que oferecem aos nossos ilhéus. Mas, à cautela, convém irem ouvindo, mesmo que não gostem, o que diz o nosso doutor Mundinho.