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afonsonunes

afonsonunes

14 Set, 2012

Cobardices

 

 

Cada vez me enojam mais estas conversas à volta da crise, da bancarrota e das alarvidades passadas, presentes e que, ao que parece, vamos ter de continuar a aguentar por muito tempo. E, por muito tempo também, vamos ter de aturar os cobardes que não têm coragem para reconhecer os seus erros.

E vai daí, toca de descarregar sempre a bílis para os anteriores, convencidos de que assim se libertam das burrices que, à medida que o tempo passa, mais claro vai ficando o seu insuportável procedimento de se guiarem apenas pelas suas cabeças, sinal de que, pelo que temos à vista, elas não andam famosas.   

Como se não lhes bastasse esse terrível problema, não se cansam de dizer que fazem, ou que vão fazer, o que não são capazes, nem de ficar calados quando querem dizer aquilo para que não têm língua à altura de o dizerem bem. Eles, realmente, dizem muita coisa mas, de jeito, nada que se aproveite.

E assim vamos de desilusão em desilusão, de mentira em mentira, até que venham as verdades todas, e são muitas, as que ainda não vieram à tona de água. Por enquanto, lamentavelmente, ainda não conseguimos ver, senão que a água onde eles se molham mas, até essa, está tão suja como as mãos que eles lavam nela.

É caso para dizer que, de hora a hora a coisa piora, apesar das baboseiras que vão aparecendo por aí e do caos com que nos amedrontam. Afinal, o caos está aí e a bancarrota parece que esteve aí também atrás da porta, o que justificou mais um cagaço que lhes redobrou a coragem para se atirarem à bruta a quem trabalha.

E a bancarrota de que eles tanto falam, está eminente agora, como sempre esteve. Porque ela esteve tão eminente quando chumbaram o PEC4, como estaria depois, se lhes chumbassem qualquer um dos memorandos. O dinheiro era tão decisivo nos PEC’s, como o é agora nas avaliações. E dinheiro, é coisa que não havia, nem há.   

Portanto, quem chumbou o PEC4, sabia que ia trocá-lo por exames trimestrais decisivos que podiam, e ainda podem fechar a torneira, como parece que já esteve mais longe. Quanto à bancarrota, há muitas consciências bem mais rotas, tremendo de medo que lhes façam o mesmo que eles fizeram há um ano e tal.

Portanto, não se compreende porque se queixam tanto de mais ou menos solidariedade, de mais ou menos cooperação, de mais ou menos responsabilidade. Todos sabemos o que, de tudo isso, eles tiveram no passado. Se no passado houve quatro PEC’s, agora já vamos com seis tranches e várias versões de memorandos.

Memorandos que já pouco têm a ver com o primeiro. Quem só assinou o primeiro, logicamente, não tem que ser responsabilizado pelos seguintes. Quem os assinou não pode sacudir a água do capote. Quem escolheu tomar conta do país, tinha obrigação de saber que país queria salvar. O resto é cobardia política.

E, se todos os de fora das decisões se têm portado bem, também têm o direito de ter uma palavra sobre o assunto e não estar dependentes de uma só cabeça, aquela cabeça que só tem enxovalhos para lhes oferecer. Diálogo, se eles não sabem, não é apenas ouvir e depois fazer só o que tinham na cabeça.