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afonsonunes

afonsonunes

18 Set, 2012

Eleições???

 

 

Mas é que nem pensar nisso. Para quê? Para suceder a mesma barraca que aconteceu nas últimas? Será que hoje ainda há alguém que pense que valeu a pena ter tirado um governo legítimo para colocar lá outro também legítimo, sem mudar o estilo de governação e o sistema do, cada um amanha-se como puder?

É evidente que fazer perguntas não adianta nada, porque as respostas, ninguém tem sido capaz de as dar com aquela clareza e independência que parece faltar, e falta mesmo, a quem tanto se tem esforçado por nos querer meter na cabeça que, só o que lhe interessa, nos vai interessar a nós.

O governo anterior caiu porque todos os que tinham voz ativa na matéria lhe retiraram o tapete debaixo dos pés. Não discuto se bem, se mal. Cada um pensa o que quiser. Caiu, porque muitos o consideraram incapaz de resolver os problemas do país. Mais, muitos consideraram que foi ele que criou esses problemas.   

Quem assim pensa deve estar agora com problemas em justificar o que se está a passar com este governo. Exatamente, porque agora muitos pensam que este governo não se mostrou capaz de resolver os problemas do país. Mais, muitos pensam que, num ano e poucos dias, foi este governo que agravou tudo.

Os argumentos de quem está em lados diferentes da barricada são conhecidos. Mas, do que ninguém duvida, é da incapacidade das forças que manobram o sistema e dos vícios que o enformam, não oferecem a mínima garantia de que tudo não vai continuar na mesma. Por isso, e só por isso, não adianta pensar em eleições.

Adianta, sim, pensar na melhor maneira de ultrapassar essa impossibilidade, para se meter o país na senda da recuperação, com os do costume a fazerem o papel de pedregulhos a encravar as engrenagens do sistema. E este sistema, só por si, já não tem capacidade para se limpar por dentro e por fora.

Não adianta vir com o argumento de que a democracia é isto mesmo, se é a própria democracia que não está a funcionar. Se são os ditos democratas que brandem o punhal em toldas as direções, não vendo que até o viram na direção do seu próprio coração o qual, inevitavelmente, acabará por ser atingido.

Por isso mesmo, eleições não. Já há quem diga que o PS está a fazer-se ao piso para se aproveitar da situação. Se for esse o caso, acho que faz muito mal, mesmo dizendo que só se for escolhido pelo voto. Não porque seja pior que o PSD. E isso está patente no governo que temos. Neste momento, nem um nem outro.

Se, PS e PSD nem pensar, se, tal como não se quis mais Sócrates, também já não se quer mais Passos, então a solução, que não pode, obviamente, passar pelos restantes partidos, tem de ser encontrada de modo excecional, dentro de circunstâncias excecionais que vive a nossa dolorosa vida democrática atual.

Aliás, qualquer tentativa de obter um resultado eleitoral que não deixasse margem para dúvidas, está fora de questão, para lá dos viciados no sistema. E os viciados do sistema são os que roubaram e roubam o país, os que ajudaram e ajudam a roubar o país e todos aqueles que têm a garantia de que não serão roubados pelo governo.

Mais uma vez, eleições não. Se não houver melhor solução, alvitro que se promova Relvas a primeiro-ministro, com a liberdade de escolher todos os seus ministros e colaboradores. Ficaremos, ao menos, com a garantia de que o país terá a melhor democracia comunitária e a troika terá um parceiro a condizer.