Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

afonsonunes

afonsonunes

21 Set, 2012

Que tudo corra bem

Quando a gente ouve um desejo com a carga emocional que ressalta da expressão deste desabafo da segunda figura do estado português, podemos e devemos ficar descansados. Tudo a correr bem, é mesmo tudo o que a grande maioria dos portugueses deseja. Por mais que se limite o âmbito da afirmação.

No caso presente o que está em causa é a realização do Conselho de Estado no dia de hoje onde, toda a gente sabe, se vai falar muito, presumo eu, mas é duvidoso que se resolva aquilo que todos nós gostaríamos que era, de uma vez por todas, ver que alguém está a fazer força para que o país entre nos eixos.

Que tudo corra bem, disse ela, mas fica por esclarecer para quem é que aquilo a que ela se refere deve correr bem. Para ela, em primeiro lugar, obviamente, porque nada lhe seria mais gratificante que ver reconhecido que o Conselho de Estado corre sempre tão bem como os trabalhos da Assembleia da República.

Ora, se tudo corresse bem num lado e no outro, seria sinal de que são normais e frequentes, os consensos à volta dos assuntos mais sensíveis para a governação e para o desenvolvimento do país. Mas, a verdade é que o normal tem sido e, tudo indica, continuará a ser, tudo, ou quase tudo correr mal, ou mesmo muito mal.

Só nos faltava ver esta obscenidade de as coisas correrem mal dentro do próprio governo. E, concretamente, entre os seus responsáveis principais, que nos dão a sensação de dois meninos que arranjam uma birra de criar bicho e deixam de se falar, precisando de andar a marcar encontros através da comunicação social.

Graças a Deus, que parece que já falaram um com o outro. Portanto, graças a Deus, que já está tudo a correr bem para o país. E, graças a Deus, que para eles também. Isto, graças a Deus, é o melhor sinal que pode ser dado aos portugueses de que tudo vai correr bem no Conselho de Estado que nos vai salvar a pele.

Para mim, só mesmo as graças de Deus me dão a certeza de que assim vai ser, como tão sabiamente desejou, e quase garantiu, a nossa vice do Estado. Porque tal não está apenas na vontade de homens e mulheres tão ardentemente defensores dos seus rincões partidários. O Estado e seu Conselho, só preocupam quem está de fora. Nós.  

Contudo, quando meto o pensamento lá mais para o fundo da minha cabeça, descubro que há lá sinais evidentes de que alguma coisa vai correr bem. Pois vai, mas apenas para aqueles que nunca viram nada correr-lhes mal. São aqueles que nunca correram pelo país, mas correram sempre contra ele. A favor deles.

Farto-me de dar voltas ao miolo no sentido de descobrir um desvio, mesmo que seja muito estreito, por onde possa passar uma solução estável para nós, ainda que o não seja para muitos dos que vão aconselhar o que já não queremos. Rejeite-se, tanto a solução do rompimento dos compromissos, como a obsessão cega de os exceder.

Estou mesmo a ver que se irá falar muito de estabilidade. Como se nós ainda tivéssemos alguma estabilidade. Seria bom que os conselheiros encontrassem uma solução que nos desse a estabilidade que já não temos, sem os custos de mais uma das velhas tentativas que nos levam sempre às mesmas teimosias.

Isso, sim, seria podermos dizer finalmente que já temos um rumo para o futuro, pois o Conselho de Estado teria encontrado a sua agulha no meio da palha do seu palheiro. Se assim for, o Conselho de Estado terá corrido mesmo muito bem e estará de parabéns a nossa vice presidenta pelo seu dedo no acerto de boas previsões. 

No entanto, como de costume, nesta mesma manhã de hoje, mais uma vez se assistiu a um debate que deixa antever um desfecho pouco ao jeito dos desejos expressos, de que tudo vai correr bem no Conselho de Estado desta tarde. Aliás, ao jeito de que tudo correu bem noutro conselho de ontem à noite, num hotel de Lisboa.

 

Última hora: Fiquei agora mesmo com a sensação de que o Conselho de Estado já não faz falta nenhuma, pois, o aconselhado declarou há pouco, que a crise já está ultrapassada. O Conselho também ficou ultrapassado, digo eu.

 

 

Comentar:

Mais

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.