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afonsonunes

afonsonunes

23 Set, 2012

Não aprendem nada

 

 

Sempre ouvi dizer que os melhores alunos não são os que decoram as lições de fio a pavio, com vírgulas e tudo, para depois as recitarem na aula com grande sentido do dever cumprido, perante professores que, em muitos casos, se sentem orgulhosos por terem alunos tão aplicados.

A esses alunos chamavam, e penso que ainda chamam, os ‘marrões’ lá do sítio. Esses professores deixam indícios de que terão seguido o mesmo método de estudo para chegar a essa profissão. Aliás, não sei porquê, vejo que muita gente importante se comporta como se não tivesse compreendido nada do que ‘encornou’ dos livros.

É realmente espantoso que, passados poucos dias da lição que veio da rua, já haja ‘professores’ a pretender transformar derrotas em vitórias, tirando ilações que nem ao mais duro dos marrões se aceitariam. Pelos vistos, o forte deles não é ouvir e compreender o que ouvem mas, tão-somente recitar a cartilha, lida de baixo para cima.   

Por exemplo, seriam capazes de passar uma manhã inteira de estudo, a repetir a frase ‘os dentes estão na boca’, para que ficasse bem claro que essa, já não esqueceria. É anedótico, mas esta também já tem dentes. Agora, não é difícil lembrar coisas destas, quando se ouvem altos dirigentes e ex-dirigentes partidários, seguir o mesmo método.

Detestam a palavra recuo, coisa que a mim também me não entusiasma, mas o que não posso aceitar é que eles, para fugir do termo, pretendam que vejamos nesse recuo a que foram obrigados, um avanço digno de todos os elogios, incluindo o da humildade e o da ida ao encontro do interesse nacional, que juram nunca ter esquecido.

Ainda não compreenderam que hoje, essa permanente atitude de mentira, já não cola, sendo uma das principais razões porque a rua se enche contra eles. Contra todos eles, porque têm sido quase todos a cometer o erro fatal de querer enganar quem lhes mete o prato cheio na mão. Quantas vezes, para depois cuspirem nele.

Mas, que não haja a tentação de empurrar para trás o que é de hoje. Porque a história nunca mentiu, nem vai mentir desta vez. Porque o muito que aconteceu agora, não tem precedentes no que aconteceu no passado, por ação de qualquer governo. Nem no tempo da velha ditadura. Mesmo relevando a evolução das consciências.

O acordar de agora, é fruto de muitas turbulências do passado, mas é, sobretudo, fruto da consciência de que foi agora que alguém tentou pôr o pé em cima do pescoço de quem já estava com dificuldade em respirar. Isso não pode ser escamoteado pelos marrões que só veem o que lhes diz o seu manual de interesses erráticos.

Quem não quer, não pode, ou não é capaz de aprender, compreendendo as lições que o tempo nos vai dando, melhor seria que mudasse de vida, para não complicar a vida de ninguém mas, que tenha a consciência de que também pode estar a complicar a sua própria vida. Os sinais são tão evidentes que só eles os não querem ver.

E quem não quer ver, também não pode ter a pretensão de ensinar. Porque a ignorância que esses mestres-escola encontravam nos seus alunos ouvintes, essa, já não existe. Até porque as novas oportunidades serviram para mais do que eles pensam e apregoam. Sempre houve alguém que aprendeu alguma coisa. Só eles não aprendem nada.

Há uma cigarra que diz que Portugal é um país de muitas cigarras e poucas formigas. É verdade, quando isso se aplica a quem nos dirige. Com a curiosidade de que essas cigarras usam asas de grilo para nos confundir. Cigarra que se revela ao enaltecer o esforço do povo para debelar a crise. Realmente, estas cigarras não aprendem nada.