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afonsonunes

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26 Set, 2012

Polícias e gatunos

 

As polícias servem para proteger os cidadãos de todos aqueles que se dedicam a retirar-lhes os seus haveres e, ou, atentarem contra as suas vidas, ou a sua integridade física, bem como os seus legítimos interesses e atividades. Por outras palavras, as autoridades policiais servem para proteger o povo dos seus inimigos.

Depois das polícias identificarem esses inimigos e de os apresentarem à justiça, compete a esta dar-lhes o tratamento que for entendido como conveniente para que não reincidam na sua atuação. Isto era a cartilha maternal da sociedade até ao tempo em que as coisas começaram a dar sinais de que não era bem assim.

Hoje, polícias e gatunos parecem ter-se misturado de tal maneira que a gente já não sabe quem nos deve defender e quem nos pode roubar. Agora, segundo notícias de última hora, há uma quantidade indefinida de polícias que dedicam a sua atividade a defender os governantes dos ataques dos populares indignados.

Sendo os governantes eleitos pelos populares, vulgo povo, e tendo também como incumbência a nomeação de quem comanda as polícias, estamos perante uma inversão difícil de entender. O governo nomeia quem utilize as polícias para o defender dos cidadãos que se sintam roubados e maltratados pelo governo.

Aos governantes não é permitido tudo só porque o são. Os governantes ganham legitimidade ao serem eleitos pelo povo. Mas perdem-na quando, à revelia de todo o povo, tomam medidas e atitudes que são claramente contra tudo o que o dever de representantes do povo lhes nega. Não lhes basta dizer que pensam o que não fazem.

É muito difícil ter razão, contra a opinião generalizada de que a não têm. Já não são suficientes as vozes dos ‘ámen’ do poder que ainda se levantam a defender o indefensável. Já não colhem as velhas desculpas de que há apenas o céu dos que falam verdade e o inferno dos que se querem queimar a si próprios pela mentira.

Sabemos que até há pouco tempo a opinião publicada nos meios de comunicação do regime económico, quase todos, era suficiente para manter o seu domínio de pé. Hoje, tudo mudou. Há uma reviravolta, uma onda de compensação desse domínio, através, principalmente, das redes sociais, onde o controle é muito mais difícil.

Mas não só. Os blogues de expressão livre nos jornais onde a opinião tinha apenas o sentido único dos seus donos, trouxeram uma dimensão diferente à formação da opinião pública e à sua livre manifestação. Que, apesar de não desejada, tiveram que a tolerar para que não ficassem sozinhos a pregar no deserto.

Não adianta aos muito ou pouco eruditos, ou à queles que, não sendo uma coisa nem outra, julgam estar acima de todas as culturas e de todas as formações, pensarem que o resto, os outros, são ignorantes que não leem, não ouvem, não pensam, ou não têm meios de raciocínio, logo, não merecem mais que a sargeta dos obstinados.

Muito mal vão os governos quando já não lhes resta mais que a força das polícias para se defenderem daqueles que os elegeram. E é triste ver como, depois das polícias, há uma justiça que, por ser escolhida a dedo pelos que protege, acaba por permitir que os injustiçados, os do povo, caiam na tentação de fugir dessa lei da selva.

Vem aí mais um teste de rua para este governo. A Grécia e a Espanha já mostraram muito daquilo que não quereríamos ver em Portugal. Mas também não quereríamos ver um governo obstinado em dividir, em lugar de tentar unir os portugueses. Um governo que culpa todos de tudo, mas não vê, nem admite, as suas próprias culpas.  

Não é com ódios recalcados que o governo e os seus intolerantes defensores serão capazes de manter, mesmo lá fora, a tão apregoada credibilidade. Que, tal como acontece cá dentro, essa credibilidade começa a esboroar-se. Já vi outros bons alunos serem chumbados pelos professores que tanto os elogiaram.

Bem podem mobilizar todas as polícias, juntar-lhes todas as tropas e todos os fanáticos defensores da razão sem discussão, que não é por aí que ganham mais segurança.     

 

 

 

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