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afonsonunes

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28 Set, 2012

Vítor vezes três

 

 

Há muitos homens a quem os seus padrinhos puseram o nome de Vítor e certamente nunca tiveram motivos para pensar que podiam ter outro nome qualquer. Sucede exatamente o mesmo com os homens a quem coube a sina de lhes chamarem Pedro. Portanto, o problema não está no primeiro nome, mas sim no segundo.  

Imagine-se que numa altura em que o país não tem dinheiro para pagar bem aos seus ministros, há um homem que se chama Vítor Gastar. Pergunto a mim mesmo como é possível haver alguém que tenha de viver permanentemente a gastar aquilo que tem tirando, obrigatoriamente, dinheiro aos outros, para justificar o seu nome.

Sim, porque Gastar, só pode ser dinheiro, pois as solas dos sapatos rompem-se, não se gastam. E a seguir, lá tem de se chamar o Vítor Gastar para abonar a verba para cobrir a respetiva despesa. Isso acontece com o Pedro Passos que gasta bastante as solas dos sapatos, por causa da mania que ganhou de dar muitos passos em falso.

Lembrei-me agora mesmo do Vítor Caspar que dedica o seu tempo a coçar a cabeça dos contribuintes à procura de umas coisinhas brancas por entre os cabelos, pois convenceu-se de que aquilo é puro algodão branco e, a conselho do Pedro Passos, anda numa correria a enganar toda a gente. Já são dois a gastar as solas dos sapatos.

Tive ainda o prazer de conhecer o Vítor Raspar, o homem que consegue resistir a raspanetes sucessivos ao longo de todo o dia, uns vindos de fora, de três chatos amigos da raspa, outros, vindos aos milhares de todo o país, por causa das míseras raspas de côdeas de pão que o Pedro Passos lhes distribui para matar a fome.

Temos assim que o país vive na dependência de três Vítores e de um Pedro Passos. É a isto que pode chamar-se com toda a propriedade, três em um. Pois, são três por um e um por três. Todos passaram no teste do algodão com distinção máxima e se alguém acabou por ser enganado não foram eles nem os seus amigos do corta e raspa.

Já começaram a ouvir-se vozes que reclamam que ambos, o Vítor Raspar e o Pedro Passos se raspem daqui para fora. Quanto ao Vítor Gastar e o Vítor Caspar, ainda podem ficar por mais algum tempo, para que o país não caia no abismo dos precipícios do Pedro Passos, que não tem travão que chegue para as necessidades.

Se o travão é fraco, muito fraco, aliás, o recurso à travagem através do motor está totalmente fora de questão. Simplesmente, porque o motor está gripado. Meter a primeira ou a quinta é, precisamente, a mesma coisa. Resta a força das línguas de alguns dos seus amigos e amigas. Em boa verdade, elas cada vez aceleram mais.

Tudo indica que já não há Passos para trás, nem Passos para a frente, que evitem os desmandos da Cruz da Paula, a justa, as parvoíces dos chistes do Montenegrino, a fazer coro com os do A guiar sem carta militar, do Luís Filipe que vale mais que’ a Gaia toda, do cigarra Macedo papa-formigas, ou o silêncio estratégico das Relvas secas.

É contra estes e mais alguns com língua de papa-formigas, que o Vítor Gastar e os outros Vítores, juntamente com o Pedro Passos, têm de conciliar o irreconciliável. Tão depressa são víboras insaciáveis, a picar nos portugueses, como, logo a seguir, vão passar-lhes a mão no pelo, como se os tivessem como peluches ao seu dispor.

Quando há alguém de quem eu preciso para sobreviver, não posso estar permanentemente a infernizar-lhe a vida. Quando peço ajuda a alguém, não posso dizer a esse alguém que ele é o culpado de eu ter a minha vida em perigo, sob pena de que nem sequer tenham pena de mim.

O prazer de achincalhar, mesmo um adversário, nunca será uma boa maneira de pedir, seja o que for. E quem está em perigo de vida, não pode ofender os seus potenciais salvadores, ainda que inimigos. A menos que se prefira morrer feliz, com os dentes cerrados de raiva, contra quem poderia ajudar a salvar a sua vida.