Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

afonsonunes

afonsonunes

01 Out, 2012

Cursos

 

 

Tenho cá um palpite que há cursos para todos os gostos e para todos os preços, que o mesmo é dizer, para todos os bolsos. E, ao que tenho ouvido dizer, também há universidades para todas as espécies de cursos. Portanto, concluo eu, só não tem um curso quem não quer, ou quem não está mesmo para mexer minimamente na cabeça.

Por cá, faz-se muita questão, que os cursos tenham de ser a sério, como se houvesse cursos que o não fossem, o que traz implícita a acusação de que há quem não seja sério, ao ministrar determinados cursos. Até se chega ao extremo de querer considerar criminosa essa atividade e criminosos aqueles que dela beneficiam.

Depois, quando a maré anda favorável, lá se mete a investigação criminal, que também tirou curso para o ser, a tentar descobrir o que toda a gente sabe. Mas, de concreto, apenas fica a ideia de que há atividades que só servem para perder muito tempo e gastar montes de dinheiro. E que, afinal, há cursos que não servem mesmo para nada.

Tudo isso me faz lembrar uma baiuca perto do local onde moro, que tem um dístico quase do tamanho da sua pequena frontaria, que diz ‘Universidade da cerveja’. No interior, um mini balcão, três mesas com três cadeiras cada uma e no exterior, um banco de madeira corrido encostado à parece, onde podem sentar-se quatro pessoas.

Ora aí temos uma universidade típica onde, com três imperiais entornadas, se fica com um curso que é, ao mesmo tempo, rápido, fácil, económico e legal. E não se corre o risco de ser criminoso ao tirá-lo, logo, sem riscos de ter de se ser investigado. Mas não se pense que é a única universidade fácil, barata e económica do país.

Também se tiram cursos que têm muitas cadeiras, sem ter de beber nada, sem pagar propinas e sem conhecer o respetivo reitor. Só é preciso ser conhecido e dar garantias pessoais de que pode vir a ser útil nas férias seguintes. Talvez na próxima universidade de verão, dessas que, sendo pequenas, funcionam mesmo nas férias grandes.    

Porque é dali que saem as melhores oportunidades de trabalho para quem ministra e para quem frequenta cursos, na perspetiva de chegar ao reduzido círculo que rodeia o pote do poder. Depois, é ali que se conseguem as melhores equivalências e os melhores créditos para as mais variadas e tão difíceis disciplinas, ou cadeiras bem almofadadas.

Agora, partir do juízo que se faz destas aulas mágicas para pensar que há cursos de universidades obtidos através do crime, ou que quem ali chegou é potencial criminoso, é pensar que o nosso ensino superior está a precisar de ser despromovido a ensino inferior. Mas, sem dúvida, é verdade que temos ensino superior e ensino inferior. 

Porém, não se pense que é a investigação criminal que acaba com as anormalidades que se verificam nesses cursos. Que se baseiam, fundamentalmente, na orientação que lhes imprimem as ideias anormais de quem não devia ter saído do primeiro ciclo, sem saber ler e escrever corretamente o português que se fala no país que sofre e trabalha.

Porque, para todos aqueles que estão longe de saber, também há cursos que custam muito sofrimento a quem os consegue, para chegar a um lugar onde possa lutar do lado dos que tiram cursos para saber trabalhar, com os conhecimentos necessários, para que o país progrida, incluindo os que nunca aprenderam a fazer nada na vida.

Portanto, se me competisse meter foice nessa seara dos cursos, eu diria que não vale a pena ligar importância aos cursados que nunca pagaram propinas às universidades. São cursos curtos, de gente média, que julga ser grande e quer chegar ao topo. São cursos que não valem o que as investigações gastam a procurar amostras sem valor.