Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

afonsonunes

afonsonunes

02 Out, 2012

Vira o disco

 

 

Vira o disco e toca a mesma é, ou parece ser, a melhor maneira de definir a situação política em Portugal. O disco tem apenas duas faces e, por mais voltas que lhe deem os seus manuseadores, não conseguem inovar na música que têm para apresentar ao impaciente salão que gostaria de experimentar outros pés de dança.

Chegou-se a um ponto em que o baile está parado porque o disco está demasiado riscado para que a música entusiasme o pagode. Pelo contrário, sente-se defraudado e refila como nunca. Aparecem vozes que querem outro disco, mas ninguém tem dinheiro para o comprar. E os pares que querem dançar, não contribuem para esse peditório.

É assim que está o país. O governo anterior saiu riscado pelas recusas de toda a oposição, em dançar ao som de música que não fosse da sua orquestra. Durante um ano, a muito custo, lá foi entretendo o pessoal, mas o ritmo foi-se tornando cada vez mais lento e está agora completamente parado.

As duas faces do disco representam o PS e o PSD, ou seja, a orquestra obrigada a calar-se e a orquestra que já não consegue tocar nada. Porque o PCP e BE, cujo barulho de ambos ajudou a calar o PS, já estão a fazer agora, mais barulho que nunca, impedindo o PSD, seu aliado anterior, de pôr sequer a boca no trombone.

Portanto, sem PS e sem PSD, ambos impedidos de dar a sua música alternada, restam o PCP e o BE, agora juntos, mas isolados, para formar o seu governo, dito de esquerda, para correr com a troika e salvar o país das garras dos inimigos. Ideias bem puras, talvez nacionalistas, ou esquerdistas, mas não capitalistas e muito menos direitistas.

Esta seria a única maneira de virar o disco definitivamente. O grande problema é que o disco de um deles, não só está riscado, como até completamente rachado, enquanto o disco do outro, é demasiado pequeno para funcionar no gira-discos. Portanto, restaria a espectativa de ouvir uns ruídos isolados e, assim, lá se foi o baile.

Só vejo aí uma alternativa que poderia ser de esquerda, correr com a troika e levar uma multidão atrás da possibilidade de formar um governo para uns tempos. Essa hipótese é viável, dependendo do resultado das eleições venezuelanas do próximo domingo. Se o Hugo Chavez perder, é quase certo que aceitaria vir aqui formar governo.

E então, teríamos aqui, não a troika que atualmente nos governa, mas a troika constituída pelo Hugo, pelo Jerónimo e pelo Francisco. Talvez o Hugo ainda conseguisse que o petróleo da terra dele nos salvasse da rôta banca que temos, mas que teria de se desenrascar sem o estado mãos rôtas que tem tido.

Mas, se o Hugo ganhar na Venezuela, não podemos perder a esperança por completo. A nossa dupla, Jerónimo/Francisco, num gesto benevolente, mas muito inteligente, manteria o Paulinho como embaixador plenipotenciário para a economia em Caracas, o que representaria a garantia de continuarmos a ter alguém a sustentar-nos.

Posto isto, fica provado à evidência que há sempre uma maneira de substituir o disco riscado por um novo, desde que tenhamos alguém super inteligente e super dinâmico, a manejar os cordelinhos lá fora. E digo lá fora com toda a convicção. Porque cá dentro, só o Jerónimo e o Francisco, podem fazer em fanicos o disco riscado.

Estou convencido de que, fora do círculo vicioso do poder, já são muito poucos os que acreditam que basta virar o disco. Porque estamos fartos de ver virar esse mesmo disco e a música saiu sempre a mesma. Não acredito que o problema esteja na agulha do gira-discos, senão já alguém tinha picado os dedos a substitui-la.   

Quem tem agora a malfadada sina de resolver o problema do disco riscado e do respetivo gira-discos encravado, terá muitas razões para estar também completamente encravado, pois nem sequer pode dar o fora, mesmo que quisesse. Mas, ao menos diga o que anda a fazer e confesse sem rodeios o que não é capaz de fazer.

O que já não dá mesmo para entender é ir tocar o disco lá para fora, às escondidas, e andar a apregoar concertos e cantatas com todos os parceiros com quem diz contar cá dentro, sem sequer lhes abrir as portas do seu auditório, nem tão pouco mostrar o panfleto do seu reportório. É caso para dizer, gaita para este disco.

Já agora, sem música e sem parvoíces de falsas imagens, penso que o estado poderia fazer uma poupança dos diabos suprimindo sorvedouros inúteis de dinheiro que serviria para tapar buracos sem fim. Fechar a Assembleia, despedir os deputados, acabar com as reuniões da concertação social e fechar a torneira aos partidos. Para começar, claro.

Reuniões, diálogos, conversas, decisões, só com quem manda em nós, que é quem manda o dinheiro para o governo gastar como bem entende. Como o dinheiro não vem para nós, quem o recebe que o pague. Se ninguém quer saber de nós, nós também não devemos querer saber deles. Toca a virar o disco.   

 

 

 

1 comentário

Comentar post