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afonsonunes

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Tal como as coisas nos são postas por este governo e pelos mais ‘intrínsecos’ defensores da parvoíce argumentativa, só podemos estar de um dos dois lados que advogam: o lado da salvação, ou o lado da perdição.

O lado da salvação diz-nos que no lado da perdição estão todos aqueles que não querem pagar as dívidas do país, ou seja, que não querem honrar os compromissos do país perante os seus credores. É realmente uma dedução brilhante.

Estes dois campos não têm meios-termos, com a excecional permissão de que, dentro da salvação, pode aceitar-se uma ligeira ‘nuance’ entre a salvação boa e a menos boa, de qualquer forma, boa, para os dois parceiros do governo.

Já no lado da perdição não se vê a mínima diferença. São todos iguais. Todos querem a troika daqui para fora, todos querem continuar a viver como dantes e todos querem continuar a navegar nos mares da irresponsabilidade e da mentira.

O lado da salvação diz-nos que só unidos, poderemos vencer este desafio de combate às dificuldades enormes. O lado da perdição concorda que as dificuldades são enormes, mas acrescenta que elas são brutais e, para alguns, são mesmo colossais.

Quanto à união (nacional?), o lado da perdição, rejeita frontalmente esse tipo de união com uma salvação que só pode conduzir à outra perdição, a perdição da vida através de um processo prolongado de morte lenta.

O grande problema é que o lado da salvação está a ficar cada vez mais vazio, enquanto o lado da perdição vai crescendo a cada hora que passa. Parece ser este, o trajeto que o país está a seguir em direção à terra prometida.

Corremos o risco de nos salvarmos desta tragédia, depois de termos de abdicar de viver durante um longo período, de que não conhecemos a duração mas, depois de termos as contas direitinhas e de termos resistido até ao limite, vermos que a vida se foi de vez.

Os do lado da salvação, provavelmente, terão o seu plano de emergência para essa eventualidade, plano esse que não contempla os do lado da perdição porque, para esses, a eventualidade de não resistir, é uma probabilidade mais que certa. 

Teremos pois um país de salvos e de perdidos. As baixas serão milhões, enquanto os salvos poderão ser apenas uns escassos milhares. Se não há um bocadinho de pão para todos, que haja um ‘fartote’ para os que se salvarem.

Os milhões do lado da perdição, no seu local de repouso, não sentirão a falta dos do lado da salvação. Resta saber se estes, depois de enterrados os outros, serão capazes de se salvara si próprios, pelos seus próprios meios.  

Portanto, mais tarde ou mais cedo, será inevitável que todos os portugueses estejam preparados, mesmo muito bem preparados, para responder a esta importante pergunta dos do lado da salvação. De que lado estão os que não estão salvos nem perdidos.

Porque, como é evidente, não se pode estar do lado que não existe. Ou se está do lado da estúpida teimosia, ou se está do lado da insustentável agonia.

 

 

 

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