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afonsonunes

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Se o povo já mete medo àqueles que elegeu para seus representantes, é porque os seus eleitos deixaram de representar a sua vontade soberana. E isso revela que o povo deixou de respeitar os que elegeu, simplesmente porque estes também deixaram de o respeitar. O respeito quebra-se quando se quebram compromissos assumidos.

A verdade é que o povo já não tem medo de mostrar o seu descontentamento, quando não a sua indignação, perante quem o não respeita minimamente, daí que os maus governantes e os maus responsáveis pela vida do povo, fujam cada vez mais do contacto com toda a espécie de aglomerações de pessoas que deviam ouvir.

Assalta-os o medo do ruído das vozes que exigem aquilo a que têm direito. E isso só revela que lhes falta razão para os convencer de que não têm motivos para os enfrentar de consciência tranquila. Ora, quando se atinge este ponto de desconfiança por parte do povo e de medo por parte de quem devia merecer respeito, diz-se que algo está errado.

E quando algo está errado entre os eleitores e os eleitos, então o povo quer e exige que seja ouvido e lhe seja dada explicação aceitável para não lhe ser dado o que lhe é devido. Se quem deve ouvir o povo já não tem argumentos para o acalmar, então deve reconhecer que já não tem condições para estar fechado onde está.

Hoje, dia cinco de outubro, feriado pela última vez, as respetivas comemorações, logo estas, as últimas, foram desviadas do seu local tradicional, pois alguém disse que não haveria segurança. Para quem? Para o povo? Ou para quem tem medo do povo? E que motivos haverá para que se tenha medo de quem sempre ali foi ordeiramente?

Não sei se a Praça do Município se tornou um perigo incontrolável. Se for assim, deve ser urgentemente fechada, impedindo-se toda a gente de passar, entrar ou sair por ali. Que se feche o município, para que funcionários camarários e utentes dos serviços não possam correr os riscos que o mais alto representante da nação não quis (?) correr. 

Se o primeiro-ministro do país se sente mais seguro no lugar para onde foi festejar o seu cinco de outubro, porque aí tem a certeza de que não vai ser assobiado, ou vaiado, ou insultado, então deve ficar por lá o tempo suficiente até que os portugueses lhe demonstrem que estão cheios de saudades dele. Depois, sim, será bem-vindo.

Vi muitos apelos à mobilização de pessoas que não tivessem nada que fazer na hora dos discursos que, certamente, foram proferidos normalmente (?), mesmo fora da Praça do Município. Isto se for verdade, a versão de falta de segurança. Espero que não tenha sido mais um boato maldoso só para promover o local dos desfiles de moda.    

À cautela, os serviços de segurança devem ter obtido a certeza de que o local desses desfiles não é suscetível de perturbações exteriores, já que os interiores estavam bem protegidos. Não sei mesmo se no recinto couberam todos os seguranças pessoais de todos os intervenientes, bem como todos os polícias mobilizados para calar o povo.

Portanto, o povo acompanhou, como nunca o fez, as comemorações do Dia da República. Não para meter medo a ninguém, mas para demonstrar que os portugueses de sempre, nunca tiveram medo de ninguém. E lembrem-se que para o próximo cinco de outubro já não o podem fazer. Estarão a trabalhar. Os que puderem, claro.

 

 

 

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