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afonsonunes

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Sonho antigo que se concretizou há pouco mais de um ano, embora com um pequeno estorvo que se tem revelado um pequeno espinho cravado na pele do governo e da maioria. Dá pelo nome de CDS/PP. De qualquer modo, o partido maioritário não deve ter hoje o mesmo contentamento com que festejou o acontecimento inédito.

O próprio presidente, que tanto fez para que se sentisse verdadeiramente entre os seus, depressa deve ter sentido o desconforto que não demorou a complicar-lhe o desejo de dias felizes e vida completamente tranquila no remanso do seu palácio. A vida tem destas coisas, como se ela própria quisesse pregar uma partidinha de mau gosto.

Provavelmente, tudo teria sido combinado até ao mais ínfimo pormenor, por velhos e novos especialistas. Os velhos, cheios de saudade dos tachos de que estavam arredados há demasiado tempo, tendo em vista o seu feitio faminto de poder. Os novos, cheios daquela ansiedade febril de se verem no lugar dos seus rivais.

Depois, o dinheiro que tudo isso representa. Dinheiro que custa muito ver nas mãos ou nos bolsos de outros, quando podia estar nos seus bolsos, bastando para tanto estender as mãos vazias, proferir umas tantas palavras mágicas e eis que tudo se transforma. O mundo mau passou a ser o mundo bom. Com tudo do seu lado, do lado deles.

A verdade é que o sonho logo começou a transformar-se em pesadelo. E ao fim de um ano e tal, temos um governo, há uma maioria, mas o presidente não anda por ali com eles. Aliás, o governo também prenuncia uma maioria de conveniências bem escondidas mas mal disfarçadas. Por vezes, o presidente, parece estar na minoria silenciosa.  

Todos eles, estranhamente, nunca mais se lembraram desse facto, ou seja, dessa grande vantagem tão propalada quando conseguiram realizar esse sonho. Agora, o mais frequente é ver como todos eles se demarcam uns dos outros, com alguma diplomacia, é certo, mas de forma evidente, de que as famílias têm as suas desavenças.

Por via delas, a vida de todos eles só tem conhecido dissabores, até porque não se podem esperar bons momentos em família quando os semblantes dos seus membros andam constantemente carregados. Pois casa onde não há pão, mesmo tendo a preocupação de não serem vistos a ralhar, bem se vê que há falta de razão.

A vida de todos eles, uns há mais tempo, outros há menos tempo, tem sofrido fortes abalos, os quais parecem tão irreversíveis que nunca mais as suas vidas serão as mesmas, por mais recuos ou por mais tentativas de modificar a desastrada linguagem que cedo começaram a evidenciar. Tudo o que devia ter melhorado, piorou.

Quando se vai de mal a pior, não há governos, nem maiorias nem presidentes, que consigam convencer os que sentem na pele a dor dos sacrifícios que não conseguem suportar. As tão propaladas vantagens de dar tudo de bom, acabam por não dar mais que uma mão cheia de nada e outra mão vazia de tudo.

 

 

 

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