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afonsonunes

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O governo começou a ser remodelado às nove e trinta da manhã de domingo e às nove e trinta da noite ainda não tinha sido todo remodelado. Portanto, só pode deduzir-se daqui que se trata da maior remodelação de todos os tempos, tendo em conta o número de ministros que compõem o governo.

Feitas as contas por alto, cada ministro já leva mais de uma hora a discutir a sua remodelação, o que diz bem da dificuldade de convencer o primeiro-ministro a remodelar-se a si próprio, em lugar de estar tanto tempo a tentar convencer os outros ministros de que devem aceitar as suas remodelações.

Aqueles que já levavam o rótulo de remodeláveis indiscutíveis foram aqueles que menos tempo gastaram a demonstrar que são os imprescindíveis. Portanto, Relvas e Álvaro ficam, para desespero de tantos apostadores que gastaram fortunas em rifas e montes de palavras à mesa do café e nos bancos do jardim.

É uma evidência que são dois ministros que não podem sair do governo, sob pena do primeiro-ministro perder o maior amigo e o maior inimigo que animam os conselhos de ministros. Sem eles, as discussões e as informações acabariam numa sensaboria entre os monólogos de Vítor Gaspar e os silêncios de Paulo Portas.

Portanto, estes dois também não são remodeláveis pois, enquanto o primeiro se esfalfa a rapar dinheiro cá dentro, o outro vai esbanjá-lo lá fora. Restam aqueles sobre os quais ninguém arrisca um prognóstico bem remodelado. Porém, eu tenho um palpite bem sustentado nos indícios que me vão chegando aos ouvidos através do dia-a-dia.

Parece-me que ninguém terá dúvidas de que a ministra dos indícios, Paula, será a primeira a ir em busca de factos que justifiquem esses indícios de que ela faz tanto alarde. Porque a justiça não se faz com indícios mas com factos provados. Temos aqui uma ministra que gastou mais de uma hora a desculpar-se mas sai remodelada.

A seguir vai o ministro da guerra Aguiar, porque num país de piegas, incapazes, ignorantes e irresponsáveis, precisa-se de um ministro da paz e da concórdia para que não haja esta sensação de ter-mos um ministro para fazer guerra a lesmas que são incapazes de lutar seja lá contra quem for. Sai muito bem remodelado.

O ministro Mota já demonstrou que de segurança não percebe patavina e da social ainda percebe menos. É por isso que ele abana tanto a cabeça quando fala. Tenho a sensação de que foi jeito que lhe ficou do capacete da mota. Agora, como anda de alta cilindrada, estranha a falta de peso na cabeça. Volta à mota e ao capacete.

A ministra da agricultura, Cristas, vai trocar de ministério com o ministro da cultura, Crato. Tudo indica que a ministra nunca sujou as mãos a mexer na terra, ao passo que o ministro da cultura já foi acusado de ter as mãos sujas. Troca perfeitamente justificada pela real adaptação a funções mais adequadas. Cristas e Crato, até soa bem ao ouvido.

Tudo isto levou muitas horas a discutir no conselho de ministros extraordinário que nunca mais acabava. Já estive quase a pensar, se toda esta demora em tomar tão difíceis decisões não teria a ver com a probabilidade de Passos e Portas também trocarem de funções. Para mais equidade governativa, até podiam governar por turnos.

Aliás, este governo vai deixar-nos muitas coisas extraordinárias para a história. Pelo menos é essa a sensação de quem não consegue ver outro futuro que não seja mesmo extra ordinário. Obviamente que também há quem já esteja a ver-se num futuro cheio de coisas extraordinariamente boas. Por exemplo, a dupla Passos/Relvas.  

A esta hora do dia de segunda-feira, não estou certo de que o conselho de ministros extraordinário para as remodelações já tenha terminado. Isto porque ainda não ouvi nada sobre as suas decisões. Portanto, também não sei se acertei em tudo ou em nada. Até pode ter acontecido que o governo se tenha remodelado por completo.

Mas, atenção. Dados os factos ocorridos ultimamente, há a possibilidade de se passar algo de anormal. Os membros do governo podem estar com receio de sair de lá, não vá haver reboliço cá fora. Ou, quem sabe, pode ter acontecido algo pior. Convém que alguém vá lá ver se não estarão sequestrados sob ameaça das armas de algum bandido.  

Não, esta hipótese não pode acontecer, pela simples razão de que, neste nosso país calmo e sereno, jamais, em tempo algum, se viu um único bandido. E, se houvesse, teria de imediato sido remodelado.      

 

 

 

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