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afonsonunes

afonsonunes

10 Out, 2012

O país já cheira

 

 

De há muito tempo que se notam sinais de que alguma coisa estava a estragar-se neste país. E quando se notam esses sinais de estragação, é evidente que não tardam os cheiros correspondentes. Quase tudo o que se estraga cheira mal.

Continuar a ouvir falar do passado para justificar o presente e, sobretudo, o futuro, é coisa que já tem aquele cheiro insuportável que só pode prenunciar uma tremenda incapacidade para mostrar um mínimo de condições para vencer as adversidades.

Neste momento estamos completamente cercados pelas mais calamitosas adversidades e a esperança que nos oferecem os responsáveis pelo país, muitas vezes através das mensagens dos seus enviados, é apenas a de que estão a fazer o que é possível.   

Ora, esta é a pior mensagem que se pode transmitir a quem já está desesperado. Fazer o que é possível tem de ser concretizado com medidas em que toda a gente se reveja e veja nelas uma maneira credível de sair da situação calamitosa de cada um.

O país não vive nem melhora, com a hipócrita certeza dos que veem tudo, onde outros não veem nada. Dos que aplaudem, mesmo por fora, tudo o que não deu resultado e desancam em tudo o que outros sugerem ou propõem sem lhes medir o alcance.

É por isso que o país já cheira ao bafio das verdades fabricadas pelos manhosos artífices de transformações ardilosas, nas mais infames mentiras. Já cheira àquele fedor da propaganda tendenciosa dos que não admitem contraditório.

Sente-se o pivete dos mais escandalosos beneficiários de recursos retirados à sociedade em geral, e aos mais elementares direitos dos cidadãos, ao reclamar estatutos de intocáveis salvadores do país e dos cidadãos que eles asfixiam.

Os maiores precursores dos tempos que atravessamos, quando há uma dúzia de anos melhor podiam ter aproveitado os tempos de vacas gordas, são agora os novos coveiros do país com as suas teorias bafientas de passa culpas.

O que não puderam então acabar de destruir, estão agora, através dos seus poderes de sólidas amizades, de conselheiros, ou influentes fontes de opinião, a concretizar os seus sonhos espicaçados por alguns anos fora da área do poder.

Anda no ar o cheiro de que não é só o povo que não tolera mais austeridade. São, principalmente, aqueles que só agora são, ainda que levemente, beliscados nos seus interesses, tendo em conta que nunca lhes afetarão o seu nível de bem-estar.   

Mas, o país cheira, sobretudo, a um ambiente de cortar à faca. Parece que já ninguém se sente seguro. Nem mesmo os que, fingindo-se senhores bem ambientados estarão, porventura, a pretender resguardar-se da previsível confusão.

Porque o cheiro que nos vem de cima não tranquiliza ninguém, talvez até nem consiga tranquilizar os próprios. Mas, como acontece no alto mar, quando o navio começa a meter água, há os que tentam fugir e os que metem a cabeça debaixo da almofada.

Que vamos todos para o fundo, já é uma trágica visão do nosso futuro, impensável, certamente. Mas, livrem-nos deste cheirete a falsidade e hipocrisia de tudo o que nos rodeia. E, isso, ao menos isso, que eles não nos digam que já vem de trás.

 

 

 

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