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afonsonunes

afonsonunes

11 Out, 2012

Eu faço ideia

 

 

Há quem não pense minimamente no sacrifício que é trabalhar com a barriguinha a dar horas. Pelo contrário, há quem não pense no pesadelo que é trabalhar com o estômago a rebentar pelas costuras. E também há quem pense que trabalhar é uma chatice  

Não faço a mínima ideia do que é estar encerrado numa sala, cerca de vinte horas seguidas, ainda que bem acompanhado, pois nunca me aconteceu passar por esse suplício ou, não sei, por esse prazer de tão prolongados momentos.

Mas, sabem os valorosos ministros da nossa valente nação que, numa primeira experiência, aguentaram mais de metade desse tempo sem, ao que parece, se terem queixado do esforço despendido, nem terem sequer mostrado sinais de sono.

Uma coisa é a gente passar uma refeição em branco, por exemplo o almoço, outra coisa é ver passar a hora do jantar, do mesmo modo que viu passar a do almoço: a chupar no dedo. Mesmo tendo tomado um pequeno-almoço muito reforçado.

É verdade que não devem faltar na mesa as garrafinhas de água para mitigar as gargantas secas, atendendo a que tem de se falar muito durante muito tempo. Mas também é verdade que a água não mitiga a vontade de dar ao dente.

Talvez lhes tenha servido de consolação o facto de terem passado muito desse enorme tempo de explicações, discussões e justificações, a mitigar os desejos daqueles que, lá fora, nem lhes passava pela cabeça a fome que atacava por ali.

Vinte horas sem comer, é muito tempo. É muito pior que passar a vida a beber às pinguinhas e a comer aos bocadinhos, como acontece aos que criticam os ministros, que nunca conhecem aquele prazer de encher a malvada até lhe chegar com os dedos.    

Ministros que podem bem passar sem uma ou duas refeições, mesmo seguidas, pois isso só servirá para que saiam dali com ganas de comer tudo o que lhes apareça na primeira mesa que encontrem. Que estará bem recheada com certeza.

Eu faço ideia do prazer que se sente a seguir a essa refeição compensatória, ao cair na cama, ou no sofá do gabinete, e bater uma daquelas sornas que não tem fim. Em que se sonha com o trabalho feito, com aquele sorriso de quem faz tudo bem feito.  

Dados os bons resultados que têm vindo a ser alcançados com este novo horário de trabalho, já se pensa em incluí-lo no respetivo código, mesmo à revelia do acordo da troika. Primeiro, de aplicação exclusiva a ministros. Depois, a todos os trabalhadores.

Eu faço ideia de como esta novidade laboral viria mitigar descontentamentos dos que não são ministros, enquanto estes, já rotinados nesta prática salutar de trabalhar de dia e de noite, com todo o esforço possível, seria uma agradável motivação suplementar.

Também tenho já feita uma ideia bem antiga que me diz que o país precisa de motivação suplementar para toda a gente, exceto para os ministros, que já a têm, comendo poucas vezes e trabalhando sem parar. Um bom exemplo.

 

 

 

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