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afonsonunes

afonsonunes

12 Out, 2012

Esta e a outra

 

 

Está mais que dito e redito que só nos faltava agora uma crise política para completar a nossa desgraça. Esta ideia radica no invocado facto de que precisamos de estabilidade política para resolver os colossais problemas que temos de ultrapassar.

Antes de mais, pergunto a mim próprio se nós não vivemos já, neste momento, uma crise política gravíssima, como a classificam figuras de primeiro plano da vida nacional. Do primeiro plano, por razões diferentes das figuras que mandam agora no país.

É verdade que estamos com uma crise política em cima das costas há muitos anos, mas ela nunca terá sido tão grave e tão profunda, em muitos aspetos, como agora. Portanto, quem tem poder para agir, devia fazê-lo clara e corajosamente, sem hesitar.

Eu sei que há restrições jurídicas, legais e até constitucionais, que colocam entraves a muitos níveis. Mas também há limites jurídicos, legais e constitucionais que já foram ultrapassados e violados sem que os direitos dos prejudicados fossem respeitados.

Seria caso para perguntar se as leis e a constituição da república só podem ser violadas quando isso vai contra os cidadãos mais desprotegidos. Ou quando os violadores da legalidade são os representantes do estado.

Invocam o interesse nacional, a salvação do país e outras coisas que tais. Pois bem, utilizem esses mesmos argumentos para meter o país na ordem. Se suspendem as leis e os direitos dos cidadãos, também podem suspender a queda do país no abismo.

Já houve quem sugerisse a suspensão da democracia em momento bem menos perigoso. Já houve países, nesta conjuntura, que abdicaram de eleições para formar governos. E cá, com toda a pompa, diz-se que não podemos criar uma crise política.

Mas então, podemos andar mergulhados nesta crise em que o país todo trabalha, ano após ano, só para pagar os juros dos empréstimos que vão crescendo de dia para dia? E os génios ficam satisfeitos por dizer que não foram eles que criaram esta situação?

Mesmo que assim fosse, são eles que estão a avolumar esta situação, porque não sabem sair deste ciclo vicioso. Porque não são capazes de chamar o país e falar, calmamente, seriamente, dispostos a falar sem impor, mas também a ouvir e aceitar.

Se há coisa que não temos, mas sem dúvida alguma, é alguém que tenha a capacidade de se fazer ouvir, de saber mobilizar pessoas para o diálogo franco e aberto, sem a ferrugenta linguagem das palavras dúbias recheadas de interesses obscuros.

Isso devia ser da iniciativa de alguém que todos conhecemos perfeitamente. Nesta onda de indecisões, de silêncios comprometedores, de falta de ideias, ou a existência de peias que impedem que elas vejam a luz do dia obrigam a que, assim, lá vamos andando.

Mais correto seria dizer que, assim, vamos desandando, como diria o povo. A grande questão que se põe é: até quando. Não precisamos de uma crise política: vivemos uma inultrapassável crise política, se quem pode e deve, continuar a olhar para o lado.

A menos que pense que assim está tudo bem. Porque há quem tenha medo de fazer ondas, com receio de que elas venham a submergi-lo. E também há quem pense que não vale a pena mexer no que não tem solução. E, a continuar assim, não tem mesmo.   

 

 

 

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