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afonsonunes

afonsonunes

16 Out, 2012

E agora?

 

Agora é preciso que alguém perceba o motivo por que está a chegar, de certo modo já chegou, a época da pancadaria nas ruas, sobretudo, durante as manifestações que ainda há bem pouco tempo costumavam ser ordeiras e pacíficas.

Depois de tanta gente ter advertido para esta mudança de comportamentos, que só a cegueira de gente teimosa e dominada por ódios e rancores de quem pensa que tem a exclusividade da razão e da clarividência, se deu à arrogância de não ligar nenhuma.

Mas, aqui chegados, também é preciso que alguém perceba por que motivo, numa manifestação, há onze feridos, dez dos quais agentes da autoridade. Parece, pelo menos a mim parece-me, que algo está errado nestes tristes acontecimentos.

Agora, não é fácil adivinhar como vamos sair desta espiral de sufoco que cada vez nos empurra mais para o buraco que devia ser de salvação. No entanto, todas as evidências apontam para a escuridão de um túnel sem saída e de retorno muito duvidoso.

Vemo-nos confrontados com a sobrevivência de um governo que parece já não ter vontade de viver. Cada vez mais isolado, recusa extirpar os seus males rumo a um caminhar com saúde, preferindo arrastar-se carregado de doenças paralisantes.

E, logo agora, que já ninguém parece ter aquela avidez pelo poder que sempre tentou tanta gente. E, logo agora, que a coragem de grandes decisões de quem tanto se mostra quando não é preciso, parece sentir-se tão cúmplice que já não se deixa ver.

Falam muito os corajosos que nada arriscam com as suas opiniões. Falam muito os que insistem na repetição cega dos seus erros. Falam de mais todos aqueles que o povo já declarou não mais os querer ouvir. Fala de menos quem podia e devia levantar a voz.

E agora? Se é evidente a relutância em prescindir do poder, por parte de alguns dos que o detêm, também é evidente que o receio de enfrentar as consequências do fracasso, causa aquela contida vontade interior de sair dali quanto antes.

Agora, pensa-se muito na grande dificuldade com que os valentes se debateram na hora de conquistar o poder e na facilidade com que, os agora vencidos, podem ter que o perder. É assim o poder: difícil de conquistar, muito fácil de perder.

A grande verdade é que não o merece quem não sabe lidar com ele. Manifestamente, esses, nunca deviam ter entrado nessa aventura. Portanto, agora, chegaram àquele ponto, em que só o abandonam quando alguém os empurrar.

E agora? Enquanto isso não acontecer, o que também é muito difícil, estamos a chegar ao momento em que eles próprios se cansarão com os sacrifícios que estão a suportar. Malgrado os nossos sacrifícios, eles bem merecem os seus.

 

 

 

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