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afonsonunes

afonsonunes

17 Out, 2012

Estão todos bem

 

 

Os portugueses apanharam um susto tremendo quando aquele deputado regional madeirense de barba rija anunciou que o seu partido, o CDS, iria votar contra o orçamento que foi apresentado pelo bem-educado ministro das finanças.

Na verdade, essa inesperada bomba atómica lançada sobre a nação, já de si a tremer de medo de perder a tão imprescindível estabilidade política, logo fez perder a estabilidade emocional que ainda mantinha, em alguns cidadãos, um sinal de salvação possível.

O governo ia cair inanimado e metia nas mãos do presidente um imbróglio que não deixava qualquer hipótese de saída para os amantes desta austeridade. Porque outra viria, não se sabe de onde, bem como para onde os levaria de olhos vendados.

Mas, os portugueses logo perceberam que ali havia gato escondido com rabo de fora. O deputado regional madeirense do CDS anunciava que o partido votaria contra o OE, mas o presidente do partido não disse que sairia do governo.

Aliás, deixar de ser ministro, era coisa que nem lhe passava pela cabeça, imitando assim um destacado elemento do PSD, que também disse que não lhe passavam coisas dessas pela cabeça. Os portugueses sabem bem como andam aquelas cabecinhas todas.

Portanto, todo o governo e todo o PSD podem afirmar que estão todos bem, tanto no governo, como na coligação, embora ninguém do CDS possa afirmar que está tudo bem ou, em alternativa, que está tudo mal. E o país voltou a sorrir e a respirar fundo.

Quem não deixou de respirar fundo, mas mesmo muito fundo, foi o presidente que, depois do susto mais que assustador, pôde continuar o seu repouso sem sobressaltos preocupantes e sem ter necessidade de colocar mais umas palavras no Face.

Isto quer dizer que a vida dos portugueses já voltou à normalidade e à estabilidade emocional, a qual lhe proporciona a estabilidade política. Pode continuar a ter fome de muitas coisas, mas não terá a chatice fatal de se ver sem orçamento e sem governo.

Isso é que seria um desastre, uma monstruosidade, uma morte antes de emagrecer, uma bomba atómica na cabeça, uma brutalidade, um maremoto, mais um resgate, enfim, tudo o que se puder inventar para que nunca se possa imaginar coisa pior.

Os portugueses sabem que, afinal, está tudo bem e estão todos bem. O país funciona, o dinheiro que não chega, vai chegar, a banca rota já está remendada e até alguns indícios daquilo que chegou a parecer uma loucura, já foram liminarmente eliminados.

Dentro do governo, tudo o que pareciam pessoas junto à porta de saída, apenas à espera que ela se abrisse e viesse de dentro um ligeiro empurrão, foram fantasmas dissipados. Junto à porta, ninguém, tanto para sair, como para entrar.

Portanto, haja tranquilidade, muita tranquilidade porque, se alguém está mal, não são eles. E quem não estiver bem que se mude. Eles estão todos bem, mesmo muito bem, uns mais faladores, outros mais calados. Mas, tudo isso passa.  

 

 

 

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