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afonsonunes

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O PM ainda cá não está, depois de ter ido arejar até Bucareste, pois os ares em Portugal estão muito saturados e alguns dos seus parceiros do governo e amigos de fora dele estão, irritantemente, todos muito chatos nos seus modos de conversar.

Vistas as coisas por esse prisma, a ausência do PM até se justifica, pois não queremos nem ganhamos nada, em ter um governante tão importante, excessivamente cansado e com zunidos perniciosos nos ouvidos. Queremos um PM em forma perfeita.

E Bucareste é o local ideal para esquecer as loucuras de Lisboa e até de Massamá, onde tudo está em baixo. Daí que Bucareste seja um paraíso, ainda mais numa cimeira, onde as tricas partidárias são muito mais interessantes que as tricas orçamentais.

Só há uma coisa que está a fazer-me cócegas no pensamento. Aquela cimeira de Bucareste é para partidos populares. Chamam àquilo a cimeira de uma família. E eu que julgava que o PM era social-democrata. Pois, ele é daquela família. Será irmão? Primo?

De qualquer forma, até dentro das famílias se passam coisas muito esquisitas. Mas, das duas, uma. Ou havia uma coisa muito grave e inadiável na cimeira de Bucareste, ou havia uma coisa muito grave em Lisboa e Massamá para o PM fugir dela.

É evidente que ele não fugiu de ninguém, mas pode ter fugido de alguma coisa, apesar de ter constado que o seu número dois no governo, não quis ir com ele. Ora aí está um popular que não ligou à sua cimeira. Preferiu ficar a meditar num recuo patriótico.

Enquanto isso, o número zero do governo, foi acusado por um militar de não ter vergonha, porque ela está muito cara. Sinal de bom senso pois, poupando em vergonha, compram-se mais uns bastões. O zero dá o exemplo aos números que se lhe seguem.

Com o número um do governo em Bucareste, com o número dois fugido da cimeira e com o número três embrulhado nas contas do orçamento, fico um bocado preocupado por ter sido o número quatro, o doutor Relvas, a assumir o comando do executivo.

Não é porque ele seja melhor ou pior pessoa que os seus colegas de governo. Mas, simplesmente, pelo facto de ele ainda não ter uma equivalência que lhe dê currículo suficiente para ter competências de um chefe de governo. Mas vai lá chegar.

E vai lá chegar porque ele é o único que ainda tem margem de progressão no seu currículo e na obtenção de mais equivalências, dado que os outros membros do governo já deram provas de terem atingido o limite máximo das suas possibilidades.      

Além disso, o doutor Relvas é o único que ainda tem saldo positivo para gastar ao estado aquilo que os outros gastaram com os seus cursos muito caros. Por outras palavras, até hoje, o doutor Relvas é o doutor mais barato do país.

No PSD, o doutor Relvas é o único que é capaz de se conter na linguagem que estraga o consenso político que o FMI exige para mandar o cheque. Isto equivale a muita massa. Porque o doutor Relvas tem uma equivalência em ciências da boa educação.

Ora, nesta época em que o país está à brocha, temos de convir que o doutor Relvas é um símbolo de eficácia e eficiência. Assim fossem todos os ministros. Assim fosse todo o governo. Não teríamos agora estas guerras entre o número um e o número dois.

Claro que isto são guerras do alecrim e da manjerona. Ou guerras de quem quer que se lixem as eleições. Mas, à primeira que perdem, quem ficou lixado foram eles os dois. Contudo, amanhã ou depois, já não há amuos. Isto de ser número um, ou dois, é lixado.

De tudo isto se retira uma grande lição. Tanto se pode ser ‘patriótico’ indo espairecer até Bucareste, como se pode ser ‘muito patriótico’ não indo a Bucareste para salvar a Pátria com uma profunda meditação no Largo do Caldas. Grandes algarismos.

 

 

 

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