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afonsonunes

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22 Out, 2012

Alternativas?

 

 

Dizem os grandes sábios da nossa praça que não há alternativa a este governo. Não sou eu que vou dizer que há. No entanto, fico a sorrir com aquela cara de estupefação, que não é bem de estupidez, quando olho um pouco para trás.

Quando este governo substituiu o anterior, já tinha dado alguma prova de que seria uma boa alternativa? Não. Quando o anterior governo tomou posse para o primeiro mandato, já tinha dado provas de ser uma boa alternativa? Não.

Ora, se pensarmos que os governos só podem vir a ser competentes e eficazes, se forem uma boa alternativa, nunca poderão ser constituídos numa base de renovação de políticos velhos por políticos novos. Como se diz que é preciso renovar a classe política…

É já um chavão mas, na verdade, é mesmo verdade: há sempre alternativas, assim haja quem as queira aceitar. Se estamos fartos dos políticos velhos que nos conduziram a este estado, temos de renovar até onde for possível renovar.

Agora, não podemos aceitar que os políticos inexperientes e, ou, incompetentes, se mantenham no poder só porque foram eleitos. Se nos dão provas de que não conseguem acabar com o que está mal no país então, que venham outros.

Não podemos é aceitar as teorias de conveniência de políticos e comentadores que andam ao sabor dos ventos e marés. Se o governo que está em funções no momento, não lhes cheira, rua com ele. Se lhes convém, haja o que houver, não tem alternativa.

O governo anterior só esteve lá metade do mandato porque se pensou que já estava lá a mais. Não se vê por que motivo o atual governo não possa ser substituído antes dos quatro anos, quando já se provou que não correspondeu ao que dele se esperava.

Mais ainda, quando já muita gente pensa que a sua atuação só está a agravar os males do país. O que é que melhorou? Tudo o que derivou dos cortes nos salários e outros benefícios. O que é que piorou? Tudo o que era preciso fazer, puxando pela cabeça.

Não preciso eu de puxar pela cabeça para dizer o que faz falta. Está tudo mais que identificado, publicado, dito e redito. É preciso mesmo que se oiça, se veja, e se tenha tudo isso em atenção quando se fazem os orçamentos. E que depois se cumpram.

Não há alternativa à austeridade? Não, não há. Mas há outra austeridade para contrapor a esta que nos estão a dar. Basta comparar a austeridade de quem tem uma reforma de cento e setenta mil euros e a de quem não tem um cêntimo na família.

Portanto, a austeridade não tem alternativa. A gente já sabe disso. Mas, há muitas maneiras de a fazer. Logo, muitas alternativas. E dessas é que há muita hipocrisia escondida, sobretudo, porque interessa não falar nelas.

 

 

 

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