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afonsonunes

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29 Out, 2012

Meia maratona

 

 

O atletismo tem estado muito em voga na política, com particular destaque para as corridas e, dentro destas, as de longa distância, onde é preciso ter canetas para aguentar, segundo o especialista mor na matéria, o último terço da prova.

Está mais que visto que não há preparação suficiente, para os atletas que neste momento atacam a maratona política. Até aos vinte sete quilómetros lá fizeram das tripas coração e, já de boca aberta, só por teimosia ainda caminham a passos. 

Ora, a maratona é uma corrida, não é para andar ao ritmo de passos, muito menos a passos de caracol. A maratona tem de ser para gente, homens e mulheres, de sapatilha ligeira até aos quarenta e dois quilómetros sem olhar para trás a cada cem metros.

Porque a meta é sempre em frente e a partida ficou definitivamente para trás. Quem não treinou o suficiente não devia ter partido. Quem pensa que está a concorrer com quem já arrumou as sapatilhas, está irremediavelmente condenado ao fracasso.

Poderia ainda haver a hipótese de os atuais atletas se inscreverem na meia maratona, mas não há. Simplesmente, porque ficaram arrumados com os dois terços já percorridos na maratona. Agora, de língua de fora, já nem aguentam mais passos em falso.

Tudo isto não teria qualquer importância se não fosse aquela lembrança aterradora daquele atleta político nacional que andou seis anos a dar espetáculo por todo o mundo a fazer maratonas matinais competindo com os seus próprios seguranças.

A irritação dos atuais atletas políticos portugueses é não conseguirem perceber a razão do seu fracasso na maratona, quando se lembram do êxito do maratonista que foi capaz de fazer maratonas consecutivas daqui até Paris. Até dizem que ele fugiu. Pois fugiu.

Na verdade, tem toda a lógica que ele tenha fugido. Por mais que digam que ele não foi capaz de prever o futuro, tudo nos leva a crer que ele teve uma perspetiva lúcida do que aí vinha. Cá, não tinha condições mínimas para correr sequer um quinto da maratona.

Pensando bem, não é difícil entender como é que um maratonista de exceção podia ficar aqui, em Lisboa, onde já não há uma boa loja aberta, onde se possa comprar um bom par de sapatilhas. E, se ainda houvesse, não havia dinheiro para as comprar.   

O grande problema a partir deste momento, é estar em causa a própria modalidade: o atletismo. Sem meia maratona e sem maratona, os atletas políticos pró-ativos, estão a tentar tornar-se aguerridos beligerantes contra todos os que correm atrás da vida.

Só que, a vida está muito doente. Correr atrás dela é estar logo, à partida, a ser contaminado pelo seu bafo febril. Assim, os beligerantes, usando todas as suas pró-atividades, facilmente deitam a mão aos que vão perdendo o contato com a vida.  

Ainda nos vêm com a conversa de que é preciso coragem e sacrifício para aguentar a parte mais difícil da maratona. Mas qual maratona? Nem maratona, nem meia-maratona. Que corra o treinador, que nós já não podemos com uma gata pelo rabo.

 

 

 

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