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afonsonunes

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30 Out, 2012

Jogo de cabeça

 

 

Previno que não vou falar de pontas de lança ou de centrais que são, normalmente, os futebolistas que mais precisam de usar a cabeça para marcar ou evitar golos nos jogos que disputam. Mas, para mim, a cabeça tem outras utilidades bem mais importantes.

Nesta emergência nacional, segundo terminologia muito propalada, é incontornável não deixar de malhar na vaca fria, que é como quem diz, manter a língua afiada para desancar nos infelizes que já se devem ter apercebido da alhada em que se meteram.

Portanto, imagino o jogo de cabeça em que são obrigados a intervir o dia inteiro, e em grande parte da noite, principalmente, quando são obrigados a entrar duro sobre adversários que a todo o momento oferecem umas entradas a raspar.

Também convém referir que, quem não tem cabeça, não pode esperar outra coisa senão rasteiras e entradas de carrinho, já para não falar naquelas ofensivas de gente que ao receber um encosto de ombro, logo responde com uma cabeçada de rachar.  

Depois, desse jogo perigoso de cabeça resulta, com frequência, a cabeça perdida de quem nem sempre controla aquelas buzinadelas linguísticas que são habitualmente dirigidas com maior fúria aos árbitros que usam mal e abusam do seu apito.  

Quando o jogo de cabeça dessa gente não é grande coisa, lá começam a ouvir as assobiadelas da ordem, prenúncios do acenar de lenços brancos de quem está farto de ver sempre as mesmas jogadas, que vão sempre desaguar na pior das deceções.   

Quem não tem cabeça é natural que também não tenha muito raciocínio. É natural que também não tenha tento na língua. Fica-se a pensar se, na falta desses dois predicados, ainda restará alguma coisa dentro dessa cabeça que não se tem.

Sabe-se que há quem tenha muita tendência para o jogo. Mas há quem não saiba minimamente usar a cabeça que tem, para jogar com ela. Prefere usar os pés e os punhos para fazer o único jogo que sempre jogou. O jogo da violência.

Mas, politicamente falando, é o jogo da violência verbal o mais correntemente praticado. Diria mesmo que o mais estupidamente usado, pois só a estupidez de certos jogadores os impede de ver o jogo sujo que eles próprios estão a fazer.  

Mas, também me parece evidente que esses jogadores que julgam ter grandes cabeças, mesmo muitos dos mais conhecidos, não se apercebem da pequenez do seu falar e do seu pensar que, mais tarde ou mais cedo, acabarão por dar em cartão vermelho.

Isso leva-me a crer que há muita falta de treino específico no jogo de cabeça, principalmente, antes desses jogadores se iniciarem nos grandes jogos do poder e da governação do país. E não há jogos mais importantes que esses. 

E hoje, aí temos mais um golpe de cabeça falhado que, certamente, resultará num golpe de cabeça aberta, logo, uma grande dor de cabeça. E hoje, aí temos os sinais mais evidentes de quem já, com propostas tontas, visivelmente, perdeu a cabeça.

 

 

 

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