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afonsonunes

afonsonunes

04 Nov, 2012

A boa nova

 

 

Toda a Europa anda a tremer por causa das consequências desta maldita crise, que uns querem ver bem longe, enquanto outros nem querem ouvir falar do seu fim. Portanto, falar de crise é assim como falar do tempo e das previsões meteorológicas.

Tudo indica que quem vai à frente nas possibilidades de acertar com o fim dos dissabores, são os que os que vivem e crescem às custas dos que os sofrem. Porque a crise tanto ceifa vidas, como faz com que outras vidas alcancem a abundância suprema.

Assim sendo, no meio destes tempos difíceis, chega até nós, uma esperançosa boa nova. Há vozes que vêm em nosso auxílio, destruindo muitos dos sinais catastróficos que nos rodeiam, se é que não nos começam já a sufocar.

Começo pelos esclarecidos bloquistas que advogam a formação de um governo de esquerda mas, sem o PS. Sem querer ser controverso em relação aos seus conceitos de esquerda e direita, vem-me ao pensamento a ideia de fundar um banco sem dinheiro.

Mas, também me faz pensar que há um ano e mais que meio, os bloquistas, já consideravam o PSD de esquerda, daí que se tenham aliado a eles para deitar abaixo o governo que, para eles, era de direita, ou muito mais que isso.

Não se entende lá muito bem, digo eu, que agora queiram derrubar um governo a quem deram pernas para andar. Ora, querendo um governo de esquerda sem o PS, posso concluir que querem um governo bloquista, com alguns, muitos, tons de lima laranja.

Portanto, daqui envio uma advertência ao autor do desabafo, ‘Portugal tornou-se um susto’. Portugal já não se assusta com coisas de somenos importância. Nem tão pouco com a tentativa de o assustar com um governo como o que propõe.

Igualmente importante é a voz do nosso general que já teve a experiência de como se gere um país em queda livre. E a receita para o momento atual é simples. Muito simples. O país só sai desta miséria, se conseguir um amplo consenso nacional.

Isto é muito mais simples que colocar o ovo na posição vertical. Apetecia-me perguntar como é que ainda ninguém se tinha lembrado disto. Basta um ligeiro toque dialogante, e aí temos todos os portugueses de acordo em que tudo se pode cortar à vontade.

Isto prova que o país ainda tem grandes portugueses capazes de ganhar qualquer guerra, mesmo quando tudo parecia indicar que as tropas estavam de cócoras. Já que os sargentos e os oficiais não têm sabido espadeirar, valha-nos a lucidez do nosso general.

A contribuir para esta onda gerada pela animadora boa nova do momento, eis que nos vem uma boa achega da dona da Europa, quase em vésperas de vir consolar-nos e secar as nossas lágrimas. Já só vamos ter mais cinco anos de sacrifícios. Que bom!

Ora isto é um ótimo lenitivo para as nossas espectativas de vida futura. Mas quem é que, cá dentro, nos podia prometer tal benesse. Cinco anos? Só? Muito obrigado, minha senhora. A senhora é o nosso anjo da guarda. A senhora é a melhor das professoras.

Daí que possa estar segura de que todos os portugueses estarão na rua no próximo dia doze, durante seis horas consecutivas, para aplaudir e agradecer todas as ajudas e todos os ensinamentos que tem prestado a quem tão zelosamente nos tem governado.

Só mais um sinal de otimismo. Alguém disse que ainda é possível cortar muitas mordomias. Agora, sim, creio que o governo e o presidente ouviram a mensagem. Mais. Vão providenciar a volta aos cofres do estado, do dinheiro que deles não devia ter saído.    

Não tenho outras palavras para agradecer a todos os que contribuíram para que eu pudesse dar tão boa nova. Muito obrigado.