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afonsonunes

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Depois de duas horas em S. Bento, Seguro prepara-se para ir até Belém. Estão assim satisfeitos os apelos e as críticas que o líder da oposição tem recebido dos agora submetidos à prática do diálogo. Dos que entendem que dialogar é dizer só, à que sim.    

Só ainda estou para perceber o que esteve ele a fazer duas horas em S. Bento, quando já toda a gente sabia o resultado daquela conversa de chacha. Para os ‘passados’ devem ter estado a rever os silêncios anteriores. Para os ‘segurados’, foi um monólogo de risco.

Uma coisa é certa. Ficou demonstrado como trabalham os políticos em Portugal. Como é frutuoso o trabalho dos políticos. Mas, muito mais útil e interessante, é o trabalho de todos aqueles que se esfalfam a aconselhar o que os políticos devem dizer e fazer.

Para muitos destes entendidos, o problema é simples de mais. Já não toleram Passos porque ele não está a fazer aquilo que gostariam que ele tivesse feito. Mas, também não toleram Seguro, porque ele não obrigou Passos a fazer o que já devia ter feito.

Como se vê, são teorias perfeitamente aceitáveis, facilmente se detetando que o maior culpado disto tudo é o Seguro. Portanto, como disse Cravinho, Passos quis obrigá-lo a cavar a sepultura onde pretendia que enterrassem o coitado.

A verdade é que o homem pode ser coitado ou o que quiserem, mas não deve ser condenado a um esforço tão grande, sem mostrar ao impiedoso coveiro que também era capaz de fazer esse trabalho se lhe fosse dada uma simples oportunidade.

Daí que se tenha recusado terminantemente a abrir a sua própria cova. Mas prometeu abri-la, se ela se destinasse ao seu pretenso coveiro. Agora estamos neste impasse de saber qual dos dois se irá meter naquele indigno buraco.

Entretanto, Seguro já vai a caminho de Belém, na esperança de que ali não vá ouvir semelhante proposta. Espera mesmo que a conversa não seja fúnebre. Simplesmente, porque acha que ainda está muito novo para morrer antes de nascer para a vida boa.

Vai também esperançado em que não o esperará uma daquelas ofensivas de magistratura de influência, não com vista à aceitação da cova, mas no sentido de passar o cheque em branco, sem importância, mas com a assinatura bem reconhecida.

O rapaz, coitado, está numa posição muito discutível. Penso que ele não terá mesmo hipótese de salvação. Porque está naquela posição de arguido prévio, com dois juízes independentes prontos a julgá-lo, na esperança de salvarem as suas próprias peles.

Por outro lado, se acaso viesse a ser absolvido por falta de provas, as quais seriam contra o lado contrário, é muito provável que viesse a ser um sério candidato ao suicídio. Não seria fácil resistir a tanta viagem e a tanta conversa entre S. Bento e Belém.

 

 

 

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