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afonsonunes

afonsonunes

07 Nov, 2012

Vamos brincar

 

Está na altura de se levar muito a sério todos os perigos que nos ameaçam neste tempo em que há gente demais a abusar da seriedade, levando-a a extremos inaceitáveis. Não se pode levar tudo para o campo do que é bom, esquecendo que o mal é o sal da vida.

Estou mesmo muito preocupado com aquelas pessoas que só olham para o lado justo, legal e solidário, tornando a vida deles e a nossa, a dos brincalhões, uma sensaboria que vai conduzir-nos a que sejamos o povo mais casmurro da Europa.

Vamos lá supor que um dia alguém se lembra de retirar os benefícios de que gozam os juízes nos transportes públicos. É evidente que isso os transtorna de tal maneira que nunca mais conseguem julgar alguém com independência.

Lembra-se que é nos transportes públicos que eles elaboram as suas sentenças, pois é o único tempo disponível que lhes deixam as audiências intermináveis, em que têm de aproveitar para uma soneca, enquanto os advogados despejam as suas teorias.

Ainda a propósito do mesmo assunto. Está-se mesmo a ver que os militares que estão em Santa Margarida, não podem lá dormir, que aquilo é frio de mais no inverno e quente de mais no verão. Portanto, têm de fazer viagens diárias para casa.

É verdade que todos moram perto. Mas quem anda o dia inteiro a fazer a paz nos quarteis, se tem de pagar bilhete para ir dormir a casa é mais que certo que passa a fazer a guerra durante a viagem e, sobretudo, ao perder o sono, durante a noite.

Agora imagine-se que juízes e militares passavam a ser equiparados a professores em termos de transportes. Não, duzentos quilómetros por dia, a conduzir, a dar sentenças, a fazer a paz e a guerra, não. Mesmo não tendo de ensinar nada a ninguém.

Sim, porque os professores depois de ensinarem as crianças, ainda têm de aprender a poupar gasolina ou gasóleo, senão acabam por perder também a independência. E depois, toca a distribuir mais chumbo que os militares dependentes do comboio.

Também os polícias estão muito próximo de perder a independência pois, barriga com fome é pior que metralhadora, disse alguém. Teme-se que os polícias com fome, vão aos cafés, aos bares, aos restaurantes, comer e beber sem pagar. Porém, nunca o farão. 

No entanto, tudo isto não tem nada que se compare com a dependência de um soldado da GNR que se lembrou de ir à farmácia num carro de serviço. Isto, sim, é o cúmulo do privilégio. Para coisas desta gravidade, nem sequer me atrevo a sugerir um castigo.