Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

afonsonunes

afonsonunes

12 Nov, 2012

Que grande dia!

 

 

O dia de hoje, uma dúzia do mês de Novembro, o dia seguinte ao dia de S. Martinho, que foi o dia consagrado à boa castanha nacional, para muita gente, tem de ser o dia da senhora Mer. Sem castanha, que isso foi ontem, e sem vinho, que isso está caro. 

Por causa da senhora Mer, resolvi ter de hoje um dia muito diferente do habitual. Desde logo, porque lhe comi três letras do nome, mas não as troquei pelas duas que me apetecia. Ora, como se calcula, comer qualquer coisa a essa senhora é um privilégio.

Como o dia de hoje ia ter apenas cinco horas, tratei logo de me precaver. Levantei-me tarde para não desperdiçar tempo. Não quis ver televisão nem ouvir rádio, para não ficar a saber o que não ia acontecer, pois o dia da castanha foi ontem.

A senhora Mer devia gostar de ter provado a nossa castanha e a nossa água-pé. Mas, infelizmente, ninguém tem cabeça para se lembrar destas coisas que podiam fazer a diferença e contribuir para abrir os cordões à bolsa da bondosa senhora.

O dia de hoje foi muito mal escolhido para uma visita tão importante. O pessoal que queria mostrar todo o seu entusiasmo e até o seu agradecimento à senhora Mer, pelos seus impagáveis carinhos, está todo em estado de ressaca pelo dia de ontem.

Daí que eu preveja que esta visita não tenha passado de uma sensaboria. Um pequeno- almoço do catering do avião, seguido de uma seca sem sequer provar um pastel de Belém e uma amostra de almoço no forte dos fracos, sem direito a sesta.

Depois, para completar um dia de enormes cinco horas, mais um enorme frete de discursos à portuguesa, sem que alguém se tenha lembrado que não ficaria mal oferecer à senhora Mer, uma jeropiga e umas castanhas para amenizar a conversa.

Quando, finalmente, se refastelou no avião, deixou transparecer um franco sorriso, enquanto respirava fundo. O pior já tinha passado. Agora, alguém do catering lhe trazia um tabuleiro que lhe fazia esquecer a falta da jeropiga e das castanhas.

Também o meu dia está a chegar ao fim. Ainda estou um tanto enjoado com as castanhas e a água-pé do S. Martinho. Daí que me pareça que não vou ter paciência para ver nem ouvir os noticiários que aí vêm, até porque não percebo nada de alemão.

Confesso que, para mim, este dia doze foi um grande dia. Um dia enorme, se tiver em conta que há muito tempo não tinha cinco horas seguidas de abstinência total do que se passa neste protetorado alemão. Ah, mas à noite vou vingar-me.    

 

 

 

Comentar:

Mais

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.