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afonsonunes

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14 Nov, 2012

Fura greves

 

 

Nesta altura do campeonato tenho as minhas dúvidas se devemos falar em fura greves ou fura trabalhos. Isto tem a ver com a quantidade de trabalhadores que furam qualquer coisa. Um furo é um buraquinho no meio de qualquer atividade.

Se um fura greves é um dos poucos indivíduos que não fez greve, um fura trabalhos é um dos poucos trabalhadores que não foi trabalhar. A diferença parece uma habilidade semântica mas, na realidade, não é. Nos tempos de hoje é muito importante.

Partindo desta premissa para o campo da luta no terreno, parece-me da mais elementar justiça começar por analisar quem fez o quê neste dia dito de greve geral. A Constituição da República Portuguesa é bem clara nessa matéria. A greve é um direito.

Mas, também não diz que é um dever. Logo, quem quiser usufruir desse direito, ninguém lhe pode barrar o caminho. Porém, quem não quiser usufrui-lo, não pode encontrar o caminho barrado para chegar ao seu local de trabalho.

Não é difícil verificar que uns e outros, os que querem e os que não querem aderir à greve, não estão em condições perfeitas para fazer as suas escolhas. Pela simples razão de que, infelizmente, anda muita gente a asneirar, por não saber ler a Constituição.

Evidentemente que não é o caso do PR que disse hoje, muito claramente, que a greve é um direito, mas que ele estava a trabalhar. E repetiu que hoje, dia de greve geral, estava a trabalhar. Todos nós sabemos que o seu trabalho é imparável. Isto é, não pode parar.

Já o PM, que também estava a trabalhar em dia de greve geral, como de costume em dias de trabalho normal, reconheceu que a greve é um direito mas, aquela greve dos estivadores estava a prejudicar gravemente as exportações.

Até parece que o governo, PM incluído, evidentemente, tem andado a fazer greve a essa questão há muito tempo. Pois o governo tem meios para acabar com a greve dos estivadores. Ou aceita chegar a acordo com eles, ou os obriga a regressar ao trabalho.

Parece simples, mas a complicação reside simplesmente na falta de coragem. E a coragem não está ao alcance de gente que não nasceu para decidir bem e depressa, que é o que tem faltado em muita decisão urgente que já devia estar tomada.

É caso para dizer que o PR e o PM estão em greve para com o país há muito tempo. Portanto, eles não são simples fura greves. Eles são, há muito tempo, sim, fura trabalhos, que deixam o país mais paralisado que todas as greves a que temos assistido.

Que me perdoem aqueles que entendem que o país devia estar hoje completamente paralisado. A verdade é que não está. Por culpa de indivíduos como eu, que não são capazes de estar quietos. E, não estou quieto, porque não sou capaz de estar calado.   

Concluindo e resumindo, se há fura greves neste dia, aqui estou eu a penitenciar-me.