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afonsonunes

afonsonunes

16 Nov, 2012

Insustentável

 

 

Os contribuintes portugueses têm estado a sustentar muita coisa que não deviam sustentar, com as consequências nefastas de que já atingiram aquele ponto nevrálgico em que eles próprios precisam de ser sustentados por alguém.

Portanto, havia que acabar antes do mais, com todas as coisas absurdas que eles já não podem sustentar, a fim de que eles próprios se possam sustentar, sem ter de se recorrer à implantação do estado de miséria a que muitos deles já estão condenados.

É cada vez mais evidente que temos um estado incapaz de distinguir o que é justo do que é injusto. Que não é capaz de discernir sobre o que é, ou não é, imoral e não deixa que haja um mínimo de razoabilidade nas decisões que toma de boa, ou de má-fé.

Julgava eu que os boys eram uma raça de privilegiados que só existiam nos velhos tempos em que os socialistas estiveram no poder. Bem badalados foram e ainda são, como se agora, tal como foi prometido, fosse uma seita corrida e não substituída.

Corrida foi. O problema é que se criou outra bem mais numerosa e muito mais onerosa que, descaradamente, rouba, gasta e consome, à custa dos contribuintes que já não têm furos no cinto para apertar, nem um lugarzito onde possam desviar qualquer coisa.

Mas veem a naturalidade com que os novos boys, nos novos jobs onde só fazem asneiras de fazer corar as paredes, ultrapassam todas as decisões impostas à generalidade dos cidadãos, constituindo-se em vergonhosas exceções aos sacrifícios.  

Soube-se agora que 1454 desses incontáveis boys, receberam subsídio de férias. Depois, o governo fez várias tentativas para ocultar esse número. Cá para mim, devem ser tão maus e ter ordenados tão miseráveis, que não podiam ter cortes no subsídio.

Continuamos a assistir à divulgação dos números sempre crescentes das burlas que a justiça já detetou, feitas por ilustres compadres de outros ilustres, burlões a quem não se pede um cêntimo de volta dos milhões que souberam colocar em lugar seguro.

Também se soube agora que, no meio desta razia de cortes orçamentais, o governo lá vai deslocando verbas do bolso de uns, para o bolso de outros. Começa a parecer coincidência a mais, que aqueles que mais medos lhe causam, são os que mais levam.    

Já se fala que está em marcha a criação de uma nova pide. Espero que tenham o bom senso de lhe arranjar um nome mais simpático, um nome modernaço, que disfarce os efeitos que certamente vai criar na mente de quem ainda não esqueceu a outra.

Agora, devo confessar que não concordo nada com quem diz que estamos numa situação insustentável. Aliás, sou um discordante de todos aqueles que mandam umas bocas para o ar e depois recolhem a língua durante semanas ou meses.

Apetecia-me dizer que, insustentáveis, são eles e todos aqueles que não se cansam de repetir até à exaustão as suas teses sobre periclitantes sustentabilidades. Os cidadãos também vão ter de se sustentar com o que veem e ouvem dos seus insustentáveis.