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afonsonunes

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Parece que temos grandes artistas na alta sapataria a tocar rabecão nos mais distintos concertos que se realizam de norte a sul do país. Mas também parece que temos consertos de reles sapateiros a arranhar em botas que já precisam meias solas.

O problema destas manifestações de artes que de há muito tempo se vêm repetindo com vários artistas das mais diversificadas especialidades, é que nunca ficamos a saber concretamente quem é o sapateiro e quem é o rabecão.

Mas, principalmente, é difícil saber quem é o sapateiro que arranha, ou tenta arranhar, nas botas de quem está habituado a arranhar no rabecão que não sabe tocar. Daí resulta uma exibição de jogos florais que não primam pela lisura competitiva.

Confesso que não percebo patavina de sapatos, de sapateiros, e muito menos de botas que, segundo oiço dizer, até há quem as lamba como se tivessem mel. Mas, também nunca me deu para andar com qualquer espécie de foto de rabecão na lapela do casaco.

Como não percebo nada de nada, estranho muito quando vejo um velho rabecão em momento de desafinação, a pedir ajuda a um manhoso maestro que está habituado a dirigir orquestras que só tocam o que lhe convém e quando lhe convém.

Perante estas e muitas outras desafinações, podia e devia esperar-se uma enérgica intervenção do único maestro que podia e devia pôr-nos em êxtase com a suavidade do seu talento e a sabedoria com que movimenta a sua batuta.     

Só podemos implorar que o maestro Relvas nos acuda neste desafinado concerto. Este mesmo apelo já foi feito por quem sabe que, pedidos de ajuda deste tipo, só se fazem a quem se identifica com os pressupostos em questão, ou seja, a quem use o mesmo tom.

Mas, não só neste tom, como naquele em que houve sapateiros que andaram a tocar rabecão em diversas câmaras municipais onde a música foi trocada por muitos milhões. É caso para repetir a tal lengalenga de, quem te manda a ti sapateiro tocar rabecão.  

Os mais caros concertos aconteceram em câmaras em que se ouvia música dos melhores condiscípulos do maestro Relvas. Fundão, Funchal e Gaia, eis três exímios artistas que já estão a preparar-se para se exibirem a níveis bem mais elevados.

Todos em sintonia com a batuta do maestro, também ele exímio nos êxitos das mais sonantes exibições nacionais e estrangeiras, vão agora esgotar lotações em recintos muito maiores, em concertos com muito mais guita para entrar na bilheteira.  

Quem tiver o mau hábito de falar em bancarrotas e despesismos sem conhecimento de causa, é bom que ponha os olhos nestes artistas que vão ser agora ressarcidos pelo maestro Relvas com os milhões de que precisam para pagar os calotes que fizeram.

Relvas, bem podia acudir a muitos portugueses que estão com a corda na garganta, embora não tenham gasto tantos milhões como o maestro vai distribuir pelos seus músicos. Que são muitos. Sem falar de ex-músicos da banda que andam por aí à solta.