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afonsonunes

afonsonunes

18 Nov, 2012

Agora é tarde

 

 

Muito se tem falado e escrito sobre a conveniência de haver, ou construir, uma forte união em torno de um projeto nacional de governação a um prazo dilatado, princípio essencial para que o país continue a ter crédito para as suas necessidades básicas.

Quem empresta quer garantias de que vai receber mais tarde. Daí que queira saber se um futuro governo não vai renegar as dívidas anteriores. E daí que seja muito mais importante que o PS não seja posto de lado, do que se tem feito crer até aqui.

Mas, tudo tem sido feito, para que o clima de crispação que vem muito de trás, seja mantido, se não muito acirrado a todo o momento. Porque o país se habituou a um permanente clima de eleições consecutivas num horizonte sempre próximo.

Os acontecimentos verificados neste período pós últimas eleições, tem demonstrado à evidência que nenhum partido ou coligação sobreviverá muito tempo no poder, se hostilizar de forma primária, o partido que faz a transição entre a direita e a esquerda.

Sejam quais forem as razões invocadas para erros passados, os erros subjacentes a este radicalismo criado nas relações entre os dois maiores partidos, serão sempre piores que todos os outros. A falta de entendimento mostra como são graves os erros do presente.

Por outro lado, é um erro tremendo que o maior partido da oposição, o PS, comece a vislumbrar uma oportunidade de ascender ao poder, como consequência do descontentamento popular que já ninguém pode ignorar.

A menos que esteja a preparar a corda onde irá meter o pescoço, passados poucos meses de assumir o poder, se acaso tiver oportunidade de o conseguir. Porque o consenso que o tirou do poder, será o mesmo que nunca lhe será dado.

E, provado está que, sem consenso, nada feito. Acresce que, quem podia dar um jeito para que se salvasse ao menos uma amostra de democracia nesta emergência de desentendimentos, não só nada faz, como também de jeito nada diz.

Nesta linha de pensamento, a situação atual, com esta coligação que não dá sinais de atinar com uma saída fiável, só continua a agravar os problemas do país. O recurso a eleições, a verificar-se, nada resolverá, ganhe quem ganhar.  

É por isso que, aqui chegados, é agora demasiado tarde para que os partidos da coligação andem a armar o laço ao PS, na tentativa de o apanhar para salvar a pele. Porque os agora coligados nunca prescindirão de decidir a sós, aquilo que lhes interessa.

O mesmo se pode dizer do PS, pois nunca as suas bases de apoio permitiriam que desse o seu aval a algumas medidas propostas pela coligação e das quais não abre mão. Por muito que se diga que o PS é um partido de direita ou que é igual ao PSD.

Agora é demasiado tarde para se tentar arranjar soluções que já deviam ter sido tentadas há anos atrás, se todos os clarividentes de hoje, aqueles que hoje dizem que previram tudo o que está a acontecer, não tivessem cavalgado a onda que varreu isto.

Agora, porque mais vale tarde que nunca, espera-se que não pensem mais no impossível. Pede-se que pensem no que temos agora e que, com realismo, arranjem uma solução para o país, ainda que não seja um maná para si próprios.