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afonsonunes

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19 Nov, 2012

Nervos de aço

 

 

O ministro do ataque caracterizou excelentemente a posição do governo perante a situação que o país vive e que, pelo que se vai ouvindo diariamente por todo o país, não é lá grande coisa. Mas, diz ele, o mandato vai até ao fim, com nervos de aço de todos.

Antes do mais, convém esclarecer que este ministro do ataque não consta da orgânica do governo com este nome. Portanto, só por isso, já é muito difícil sobreviver no seu posto, só o conseguindo graças aos seus muito fortes nervos de aço.

Também já demonstrou claramente que é preciso ter língua de aço, tal como os nervos. Que mais não fosse para manter os submarinos em banho-maria. E, claro, para levar o mandato até ao fim, sem que os ditos cheguem verdadeiramente à superfície.

Mas hoje os nervos de aço estão mais centrados na hora do almoço que os restaurantes dizem não fornecer. Os almoçadores das classes mais baixas, nem precisam de grandes ou duros nervos de aço, pois o seu restaurante é em casa, ou da lancheira fora dela.

Acredito que, por exemplo, o grupo de trabalho que está a estudar a possibilidade de baixar o IVA na restauração, tenha ficado sem almoço, pois é lógico que tenha de perceber perfeitamente as consequências desta determinação da associação da classe.

Claro que eu não pertenço ao governo, nem ao grupo de estudiosos desta matéria. Portanto, também não tinha que dar opinião sobre o assunto. Mas dou. Como em quase tudo, o governo andou a dormir na tomada de medidas certas para evitar nervos de aço.

A causa deste problema, foi ter permitido que os empresários tenham cobrado milhões em IVA, que nunca entregaram ao estado, porque nunca passaram a totalidade das faturas que deviam ter passado. Em muitos casos, a conta era sempre dada só de boca.

E, para muitos, ainda é assim nos dias de hoje. Portanto, antes de qualquer aumento, havia que pôr todos os cobradores a entregar ao estado, o IVA devido. Porque, mesmo a seis por cento, se todos entregassem o que cobravam, o estado saía beneficiado.  

Os empresários queixam-se muito da necessidade de fecharem portas. Nem sempre com razão. Há menos clientes, é verdade. Mas, há muitos restaurantes que continuam cheios. E há muitos restaurantes que, por vários motivos, teriam sempre que fechar.

É fácil ver que, em certas ruas de muitas cidades, eles são tantos, que nem sequer há moscas para todos. Quanto mais clientes. Entretanto, há muitas outras atividades em que se quer um profissional e não se encontra. Mesmo com o desemprego existente.

Hoje, não fiquei sem almoço, como muita gente. Mas, como muita gente, e como acontece com o ministro do ataque, também eu tenho nervos de aço. Porque se os não tivesse, não podia conter a vontade de acabar com o mandato antes do fim.