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afonsonunes

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22 Nov, 2012

Equipas especiais

 

Só não fiquei surpreendido pela criação de equipas especiais do fisco para acompanhar alguns contribuintes, porque já estou habituado a ouvir muita coisa que depois não passa de pirotecnia. Sobretudo, quando se trata de lidar com os ditos mais ricos.  

Mais ricos que, segundo a notícia que li, são os advogados, os médicos e os arquitetos. Curioso, até achei graça como logo foram escolher apenas três profissões, que até podem conter muitos ricos, mas também terão alguns que estão longe de o ser.

Agora, é bastante estranho que não sejam citadas profissões como deputados, gestores e administradores, bem como altos funcionários do estado, por exemplo, sobre os quais vemos sair grandes notícias, que envolvem grandes negócios, nem sempre muito claros.

Mais estranho me parece que tais ricos e tais negócios, estando a coberto das investigações policiais e das decisões dos tribunais, venham agora a ser devidamente sentenciados por funcionários do fisco, especialmente, por agentes especiais.

Apetece pensar na especialidade desses agentes. Se são especiais porque estão vacinados contra a riqueza ou, simplesmente, porque se não deixam ir na conversa dos ricos a troco de um simples envelope fechado, ou de uma promessa não identificada.

É evidente que estou a especular sobre corrupção. Nada me diz que sou um especulador, ou que estou a pensar que tudo vai continuar como dantes. Se houver alguém que seja capaz de me garantir uma coisa ou a outra, dou a mão à palmatória.    

Muita gente, ao longo dos anos, tem falado, e fala ainda agora, de mudanças. Só que uns falam de uma mudança no sentido que lhes interessa, enquanto outros falam de uma mudança exatamente no sentido contrário da pretendida pelos anteriores.

Raramente alguém pretende que tudo fique na mesma. Pela simples razão de que o medo das mudanças pretendidas por uns, levam outros a apresentar as suas próprias mudanças, que não são mais que um reforço do que sempre tiveram.

E o problema está na proteção que os ricos sempre tiveram e no ignorar permanente da situação dos pobres. Mas, também agora, na perseguição constante a uma classe média baixa que já desceu ao nível de uma pobreza, muitas vezes, encapotada.

Justo será que haja a preocupação de que, perante a lei, todos os cidadãos tenham o mesmo nível de responsabilidades e que a todos seja exigido que as assumam por inteiro, sem que uns possam fugir, enquanto outros acabam por ficar presos. 

Que venham pois as equipas especiais para combater todas as injustiças, que são muitas, mas que não venham preparadas para continuar a proteger quem já tem proteção a mais, acabando tudo por cair sempre em cima dos mesmos.

De uma vez por todas, é urgente e é necessário que o país de lés-a-lés, disponha de boas equipas, de grandes equipas, que joguem de forma limpa e marquem sempre nas balizas adversárias. O país está farto de jogo feio e de auto golos mais que sujos.