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afonsonunes

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Que fique bem claro que não estou a mandar calar quem, como eu, gosta de escrever umas coisas, sejam elas um prazer que se proporciona a alguém, ou uma inutilidade a que ninguém liga nenhuma. De qualquer forma, umas coisas que só lê quem quer.

Não virá mal nenhum ao mundo se a ignorância e a estupidez que alguns dizem ver por aí, a qual os incomoda muito, não for absorvida por esses agentes da esperteza e da intelectualidade, pois não está em causa a possibilidade de contágio por osmose.

Até porque, tanto quanto sei, quem atingiu por aqui o seu grau de excelência e teve outras aspirações, com toda a naturalidade, foi mostrar os seus dotes para outros ares que julgou menos poluídos. Mas, também há quem se sinta bem aqui.

Portanto, no que me toca, respeito e aceito sem qualquer problema, aquilo que qualquer cidadão sinta que lhe faz bem deitar cá para fora, o que tem lá dentro. E leio muita coisa com que não concordo mas, longe de mim, armar em membro de júri.

Agora, quando está em causa o que dizem ou fazem entidades com responsabilidades a nível do país, com influência direta ou indireta naquilo que toca aos cidadãos, nos quais me incluo, ai aí não me coíbo de meter o bedelho tal como me apetece.

Oh homem, cala-te!... Não têm conto as vezes que me apeteceu dizer isto bem alto, mesmo sabendo que não sou ouvido. Umas vezes com razão, outras sem ela. Mas constato que esses, a quem me apetece mandar calar, nem sempre deviam estar a falar.

Também não me incomoda mesmo nada aquilo que se diz deste ou daquele protagonista político, porque penso que é um direito inalienável de qualquer cidadão, ter os seus gostos e as suas preferências, na política como em outra coisa qualquer.  

Oh homem, cala-te, que hoje não estou para aí virado. O que tu queres já eu sei quase desde que nasci, mesmo não sendo um daqueles precoces como muitos se julgam, só porque começaram desde pequeninos a ter tudo o que nunca lhes custou a ganhar.

Oh homem, sei perfeitamente que não te calas quando te peço, ou te mando, mas espero bem que não tenhas a pretensão de pensar que me vou calar, só porque não gostas dos meus desejos ou das minhas ordens. 

Há quem condene a inutilidade do produto da ignorância dos outros, mas esquece que também há quem condene a inadequada qualidade de linguajares impróprios de locais decentes. Pior ainda, quando essa é uma das maneiras de exibir estranhas virtudes.

Mas, a maior de todas as virtudes, soube-o agora, é falar muito sem dizer nada, ou dizer muita coisa importante, para muita gente, através de silêncios comprometedores. É tentar ser engraçado em momentos de extrema gravidade para quase toda a gente.

Portanto, não tenho outro remédio senão resolver o problema à minha maneira. Depois de muito pensar e de analisar as mais diversas soluções, parece-me que encontrei a solução possível, sem mandar calar ninguém. Arranjei duas rolhas para os ouvidos.