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afonsonunes

afonsonunes

26 Nov, 2012

Só se perde...

 

 

O nosso popularíssimo Coelho foi de viagem até à Madeira, coisa impensável há uns tempitos atrás. Pois, porque para ir à ilha é necessária autorização do senhorio lá do sítio e só agora estão reunidas as condições para que tal viagem tivesse lugar.

Há e houve gente do continente que só teve essa possibilidade quando os elementos da natureza provocaram devastações tais, que o orgulho e a estupidez tiveram de vergar-se à necessidade de baixar a bolinha e chamar ali os insultados causadores dos seus males.

O mesmo é dizer que quando falta o dinheiro para a paródia é necessário falar a sério para que venha mais dinheiro e a paródia continue. E assim tem acontecido desde tempos imemoriais, tantos quantos o Jardim lá do sítio tem regado à sua real vontade.

Enquanto a paródia dura, os salteadores do continente não vão à ilha, devido à forte e permanente barragem de fogo defensivo e ofensivo que impede qualquer tentativa de aproximação. Exceto quando os bandidos vão ali descarregar o ouro de outros assaltos.

Desta vez, Jardim recebeu Coelho de mãos estendidas e Coelho despejou nelas o que levava nos bolsos. Tudo conforme o previsto. E ambos falaram consoante as necessidades de cada um pois, segundo se diz, a necessidade aguça o engenho.

Foi então que o nosso temerário Coelho aproveitando a brisa leve e suave que o continente já lhe não dá, confessou não ter qualquer problema em lidar com a impopularidade. Esqueceu, que tem dito e repetido que o país o compreende.   

Sinceramente, não consigo perceber como se pode ter medo de perder a popularidade que se não tem. Sim, porque só se fala do problema da impopularidade, quando se sente que ela já está aí, em cima dele, a mexer com os seus neurónios.

Agora, o problema é estar já a pensar como pode recuperar o que já perdeu faz muito tempo. E aí, mais uma vez, está a ir pelo caminho errado. A popularidade reconquista-se emendando a mão e não persistindo nos argumentos que fizeram com que a perdesse.

Passos e Jardim juntos, de braços abertos ou de costas voltadas, não constituem grande esperança para um país e uma região depauperados. Sobretudo, porque ambos têm aberto demasiado as mãos a quem não precisa e têm-nas fechado demais a que precisa.   

E a condição básica para que Passos emende a mão, é tudo fazer para criar consensos e não continuar a acirrar ódios contra quem discorda dele. Apesar de ter as costas quentes de vários lados, há um outro lado que lhe pode causar um grande resfriamento.

O país não quer eleições, mas isso não quer dizer que o país o queira no poder por muito tempo. Não deve servir-lhe de consolação, nem de teimosia, olhar apenas para as fraquezas alheias, esquecendo as suas próprias fraquezas.

O povo não quer o que tem, nem o que tem tido no passado. Portanto, não está em causa perder ou ganhar popularidade. Nunca se perde o que se não tem. Mas também nunca se ganha o que já se perdeu. Pode sim, renascer-se, ainda que seja das cinzas.