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afonsonunes

afonsonunes

29 Nov, 2012

À espera

 

 

‘Espero que todo o governo acredite neste orçamento’. É evidente que, ao dizer isto, o primeiro-ministro sabe, com absoluto conhecimento, que todo o governo o vai cumprir escrupulosamente, senão, nem a brincar, dizia uma heresia desta natureza. 

Agora, esperar de pé, pode transformar-se num enorme castigo para quem o não merece. E o nosso PM não merece ficar demasiado tempo à espera, de pé, correndo o risco de criar varizes nas pernas, o que eu não desejo nem ao meu maior inimigo.

Mas, então, que motivo levará o nosso PM, homem experimentado, culto e com um discernimento muito acima da média, a esperar que todos os seus ministros acreditem num orçamento que aprovaram, sem abstenções nem votos contra.

Depois, qual o motivo que terá levado a AR, órgão representativo do povo português, a aprovar por maioria, um orçamento que é contra o povo, dizem as más-línguas, as línguas de quem não compreende a seriedade, a lucidez e a coragem do seu PM.  

Portanto, nada mais avisado que, quem espera algo de bom ou de mau, deste orçamento, tenha o bom senso de esperar sentado, roendo as unhas sem exagerar, para que não fique surpreendido com os ataques repentistas de alguns ministros e parceiros.

Indiscutivelmente, o que não foi discutido, discutido está, pois não há nada a contrapor ao que não foi discutido, além de que, discutir é uma perda de tempo que o país não suportaria. Porque o PM já tirou todas as boas conclusões das suas medidas.

E, se alguém tirar outras conclusões, é porque não mediu as consequências que o nosso PM já mediu até ao milésimo de milímetro. Ora isso não é sério. Porque é dito ao povo português que se discorda do PM, mas não se revelam as consequências que ele tira.

Esse é o grande, enorme, colossal, monumental e monstruoso erro da oposição. Tal como o erro de 78 personalidades que se deram ao incómodo de escrever uma carta ao PM, com cópia para o PR, ou vice-versa. Há gente que não tem mesmo nada que fazer.

Se eu fosse uma personalidade, assinava por baixo, passando a ser 79. Mesmo assim, direi – que bela coisa! Pois, para anular o efeito dessa carta, bastaria uma outra, com 80 laranjinhas a dizer que a primeira carta é de uma minoria de ignorantes ociosos.

Rosinhas, claro, e quase todas murchas, ou até com muitas pétalas caídas, pisadas com algum escárnio pelos mais diletos amigos desta nossa nova democracia, onde predominam uns jovens recém-formados numa nova carreira política.

Por mais que alguém tente estabelecer um termo de comparação justo e independente sobre qual dos grupos de craques será mais competente para dirigir o país, o resultado será sempre o mesmo. Ora um, ora outro. E a culpa é de quem?

Espero, mas espero bem sentado no sofá, que ninguém me venha propor que assine a segunda carta. Comigo não contem para perfazer os 81. Aliás, cada vez me convenço mais que vou terminar os meus dias sentado, à espera que tudo isto mude.