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afonsonunes

afonsonunes

04 Dez, 2012

Quem diria?

 

Para se estar no governo do país, ou de empresas que com ele se relacionem, não é preciso saber falar português corrente que toda a gente entenda. Basta mandar umas bocas que saem à toa, por entre dentes ou com voz forte, e depois, no dia seguinte, ou passada uma semana, negar essas bocas e garantir que há quem não saiba interpretar.

Também não é preciso saber exprimir-se com ideias próprias e convincentes, uma vez que basta saber desempenhar correta, ou incorretamente, o papel de passa palavra. O que é natural quando as palavras vêm de fora e aos governantes apenas cabe o papel de as transmitirem ao país, errando, retificando e culpando os que têm cera nos ouvidos.

Talvez seja essa uma das razões que motivam frequente unanimidade durante uma grande fatia dos serviços noticiosos das televisões. Nunca se viu uma tão farta presença governamental no diz que disse mas não disse. Com a curiosidade de que a TVI e a RTP1 assumiram uma troca na orientação informativa do que ambas foram em tempos idos.

Apesar disso, constata-se que a TVI continua a liderar a informação. Quem, em tempos não suportava o seu estilo e conteúdo informativo é, precisamente, quem hoje não suporta o frete com que a estação pública flagela os seus telespetadores. Tal como nos flagelam, e com muita crueldade, alguns dos profissionais que ali se asilaram.

Em boa verdade, a TVI transmite hoje aos seus telespetadores, aquilo que eles querem ver e ouvir, enquanto a RTP1 está completamente subjugada e obrigada a dizer, a quem ainda tem paciência suficiente, aquilo que já poucos aceitam suportar. Ora isto, acaba por baralhar muito boa gente sobre quem presta realmente um serviço público.

Também já não falta quem pense que o país não precisa deste serviço público, tipo daquele que a RTP1 lhe dá. Como também não precisa do bando de ídolos que ganha milionariamente sem produzir mais que banalidades. Para além de enganos, confusões e auto promoções, é evidente que a todo o momento se sente e se ouve a voz do dono.

O país precisa de um ou mais canais públicos de televisão que tenham, sobretudo, boas equipas de jornalistas isentos, competentes e independentes, que nos deem seriamente o palpitar do coração do país e do mundo. Para lá disso, não implica ter muitos comilões e barrigudos, nem muitos magros insaciáveis que nem têm tempo para engordar.