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afonsonunes

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Estava quase tentado a dizer que os rapazes, os boys, são todos iguais, só se diferenciando uns dos outros, pelos empregos, jobs, que cada um deles consegue nas lutas do dia-a-dia. E então, quando se trata de um daqueles empregos que os colocam a mandar postas de pescada para o país, aí a coisa tem que se lhe diga.

Tempos houve em que os boys tinham, todos eles, cara de Aníbal, assim do tipo de homens feitos, como o Jerónimo e o Semedo, sempre sérios e circunspetos, mesmo quando metem água. Nisso, o Aníbal é caso único. É sempre nas ocasiões em que rega com todas as ganas, que solta um daqueles risinhos que nos deixam em êxtase.

Numa palavra: homens feitos. Têm todos, mais de um metro e setenta e não são demasiado gordos, nem demasiado magros. Todos eles, têm ideias maduras e os pés bem assentes no chão que pisam, ao contrário de um lote de boys que, embora todos bons rapazes, perdem muitas qualidades quando deixam o colo das mamãs.

Há um ano e tal os portugueses puseram na urna o nome do boy Passos cheios de esperança de que o rapaz era um poço de competência e de garantias de uma efetiva mudança nos destinos do país. Os portugueses acreditaram, e todos os boys da equipa que apanhou a boleia do esperançoso rapaz, falharam redondamente.

Agora, como diz o povo, gato escaldado de água fria tem medo. Daí que, por mais que o boy Seguro acerte nos prognósticos, os portugueses já não acreditam que é com esta rapaziada que o país lá vai. Embora sejam todos diferentes no penteado, acabam por ser todos iguais no paleio e na companhia que todos rebocam como atrelados inseparáveis.

Seguro é aquele rapaz que esconde muita coisa de que não devia ter receio de falar, principalmente, quando lhe atiram umas pedradas mal-intencionadas que lhe passam ao lado. Quem esconde o que de bom ou de mau se passa na sua família, mesmo política, também é capaz de tentar ocultar tudo o que não lhe convenha divulgar.

O rapaz não devia calar-se ou refugiar-se em desculpas manhosas quando lhe colocam questões concretas sobre o passado do partido que dirige. Muito menos quando essas questões mereciam que ele as justificasse ou as condenasse abertamente, pois a verdade deve estar sempre acima de quaisquer tacticismos de imagem.

Se ele pretende demarcar-se do passado do partido até ao dia em que assumiu a sua direção, devia fazê-lo em relação ao que de bom ou de mau fizeram os seus antecessores, sem aquela espécie de pele de galinha que se apodera dele quando é confrontado com factos, mesmo merecedores de justas correções.

Porque o partido que dirige tem um passado e uma história, como todos os outros, com boas e más decisões, com dirigentes que nem sempre acertaram, nem sempre erraram, como todos. Uns mais, outros menos. Quem tem medo de discordar, concordar ou defender os seus antecessores, tem qualquer coisa escondida lá muito no fundo de si.

Os homens e os rapazes distinguem-se pela frontalidade e pela coerência das suas palavras, das suas decisões e dos seus atos. Quando tudo neles se concentra no objetivo único de deitar a mão àquilo que perseguem desde que saíram debaixo das saias da mamã, nem a idade, nem as fatiotas os distinguem uns dos outros.