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afonsonunes

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13 Dez, 2012

O etíope

 

Para secundar as ordens de uma poderosa mulher alemã, nada melhor que um fundista etíope que nos vem ensinar a correr atrás do prejuízo. Nestas corridas de desgaste rápido, mas de recuperação extremamente lenta, se não mesmo muito duvidosa, em lugar de uma lebre a marcar o ritmo, temos um coelho mais lento que o seu cágado.

O etíope começa a maratona marcando uma diferença abismal entre o seu diagnóstico sobre o percurso, e o diagnóstico repetido até à exaustão pelo coelho e a equipa técnica que o orienta. Porque o coelho não é o orientador da sua equipa, mas uma desorientada lebre à frente de vários atletas que não aguentam mais que uns metros.  

Depois do diagnóstico vem a receita. Mais uma vez, o etíope e o coelho estão em completo desacordo quanto à receita. O que até se compreende. Quando há diagnósticos diferentes, não admira que haja receitas diferentes. O etíope, que é muito rápido, receita medicamentos lentos. O coelho que é lento, quer dose de cavalo.

Durante a corrida, os concorrentes discutem constantemente, pois sabem que lá na frente, o coelho que faz de lebre não olha para trás, sabendo que ninguém ousará ultrapassá-lo. Porque as regras da corrida são assim. E também tem como certo que, sendo coelho ou lebre, não haverá por ali caçador que se atreva a disparar sobre ele.  

No meio destas incongruências, numa corrida que se afigura de vida ou de morte para muitos espetadores ansiosos, certamente com as corridas da Etiópia no pensamento, há quem deite foguetes antecipados, festejando o final da nossa corrida, da corrida à portuguesa, onde só há uma certeza: o coelho que faz de lebre sobreviverá.